Dec
11
2009
0

Como governar no Brasil

Guia básico para ser um político de sucesso, regendo a plebe ignara.

Todos os métodos descritos aqui foram tirados de situações reais. Todos os políticos já eleitos alguma vez neste país praticam, ou praticaram boa parte delas, o que prova sua eficácia.

Antes de mais nada:

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Conhece a ti mesmo.

Para ser um mandatário, no sentido de mandar no povão.

Porque isso é democracia.

Você precisa ter dentro de si estas qualidades:

1 – Adorar dinheiro acima de tudo.

2 – Total descaso para com outro ser.

3 – Mentir, mentir e mentir… Mesmo que a platéia já esteja vaiando e a cortina descendo, aparente sempre boa vontade e desapego. As pessoas ainda acham que existe político que deseja ajuda-las, alimente essa ilusão.

4 – Acredite piamente em suas histórias. Desta forma, mesmo não sendo ator você poderá seguir os demais preceitos, acreditando que de fato desta forma fará do mundo um lugar melhor.

Estes são dogmas fundamentais para a carreira política em nossa “democracia”. Mais do que aprende-los é preciso vive-los. Do contrário, em algum momento em sua jornada rumo ao sucesso político, você acabará se deparando com dilemas pouco convenientes, que podem levar a situações desastrosas.

Seus únicos parâmetros devem ser:

– Quanto, e o que eu levo nisso?

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E mais nada.

A verdade é que tudo se resume a esta perguntinha. Pratique no seu dia a dia e logo perceberá as vantagens.

Passo 1 – Ser eleito:

É certamente a parte mais difícil e possivelmente a mais trabalhosa, mas dura apenas o curto período de campanha.

É importante que tenha em mente algumas qualidades que você deve possuir até mesmo antes de se candidatar, para cogitar uma vitória nas urnas.

Fama:

Bons antepassados contam. Não, não falo de ficha criminal limpa ou ter sido um bom samaritano. Seu nome precisa ser facilmente reconhecido entre seu eleitorado.

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Até porque alguns de seus concorrentes já pertencem a famílias de capos famosos da organização governamental.

Então, como se igualar?

Ter sido: Ator, palhaço, esportista, chatomafiosofilho de Deus, ou aparentado do Seu Dino.

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Já perceberam que o negócio aqui é ter seu nome e figura reconhecidos por uma quantidade boa de gente, que lhe garanta votos.

É anotador da loteria de animais que passa o dia todo sentado na esquina?

Fulaninho da esquina

É o frentista camarada?

Beltraninho do posto

É a merendeira simpática da escola?

Tia Fulana

Ainda não pescou a idéia? Então veja abaixo alguns exemplos reais.

Não importa que pessoas do bairro vizinho o tomem por completo desconhecido. Você tem seus seguidores, que valorizam sua opinião, mesmo que sejam, no caso da merendeira, crianças sem direito a voto. Nunca ouviu falar no poder de convencimento das crianças?

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Alguma hora você vai ceder.

E se pensarmos que cada uma em geral tem 2 pais, tios e avós, você já tem ai um bom eleitorado a conquistar.

Grana:

Você já deve ter escutado que:

É preciso dinheiro para fazer dinheiro.

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Dinheiro chama dinheiro.

Uma campanha custa dinheiro. Muitas idas e vindas, muita badalação, muita produção para fazê-lo parecer bom e bonito…

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Pelo menos humano.

E não são nada baratos os milhares de galhardetes, santinhos, filipetas, cartazes e outdoors pro povo ficar com a sua face impressa na retina. Muitas destas peças inclusive rendem o investimento por anos a fio, esquecidas em muros ou terrenos baldios.

Tem também os carros de som, com musiquinhas grudentas pro povo cantarolar enquanto sua imagem vem à mente.

E não podemos esquecer os “presentinhos” pro seu eleitorado. Ao invés de apenas distribuir fotos suas com seu número, porque não distribuir cestas básicas, chaveiros, bonés, brinquedos e toda sorte de quinquilharias que o povão adora?

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Tem muito candidato que faz carreira nesta estratégia.

Você não tem grana? Então, use sua fama, seu nome para conseguir bons financiamentos de campanha. Existem muitas empresas interessadas em patrocinar políticos, portanto não as deixe ansiosas, todo o dinheiro é bem vindo.

Bom Partido:

Outro partido

Outro partido

Tendo fama e dinheiro, é mais do que fácil encontrar um bom partido que queira tê-lo como membro de sua legenda.

Encontrar um bom partido não é nada fácil. Para sua felicidade, aqui no Brasil temos toda uma gama de partidos com mínimas variações ideológicas, indo dos mais conservadores aos mais liberais.

Mas ideologia não é para político, assim como time do coração não é pra jogador de futebol.

Você entra naquele que lhe fizer a melhor proposta para se eleger… lucrar.

O Lula é um excelente exemplo. Tentou se eleger pelo PT por anos a fio e nada, ai o PT recorreu ao eficaz PMDB, e de cara o Lula foi eleito.

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Pra tudo tem jeito.

Depois desse trabalhão todo não vai sobrar muito tempo para redigir um plano de governo, bem estruturado, embasado e executável.

Propostas de leis também estão fora de questão, portanto anote rapidamente meia dúzia de “promessas” relacionadas à saúde, educação e segurança, que não tem como errar.

Para tudo mais que as pessoas sugerirem na rua você dirá que fará tudo ao seu alcance. Seus marketeiros vão cuidar de fazer tudo rimar e parecer muito bom.

Passo 2 – Administrar o mandato adquirido:

Você chegou onde queria. Entrou para o seleto clube dos mandatários.

No papel de um dos ungidos pelo voto do populacho, é seu dever divino fazer o que bem entender, enquanto o povão confia em você.

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"Voltarei. E voltarei nos braços do povo."

Agora, é a hora de lavar a égua e tratar de fazer valer toda a palhaçada que vinha vivendo, a grana que gastou, os sorrisos, os favores, as crianças que beijou…

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"Vote em mim."

Esteja ciente de que agora você está na berlinda, principalmente se foi eleito para um cargo do executivo, e tudo que fizer, pode e será usado contra você pela mídia adversária. Sempre haverá alguém para lhe apedrejar, mas não se deixe abater, pois enquanto não houver provas concretas, tudo não passa de propaganda. Lembre dos seus tempos de campanha e sorria, sabendo que daqui a alguns anos terá constituído uma bela aposentadoria enquanto estes chatos vão seguir reclamando.

Haverá sempre uma mídia favorável onde você poderá “desmentir” toda e qualquer acusação

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Seu foco principal é recompensar aqueles que o apoiaram durante a candidatura.

Você será cobrado por eles de imediato. Esta compensação pode ser feita na forma de bens, serviços ou ambos. Vai depender do freguês.

É bom lembrar que estas pessoas que o colocaram ali, podem facilitar ou dificultar seu mandato, dependendo de como for sua gratidão para com elas.

Como demonstrar sua gratidão:

– Tornar a legislação mais favorável.

Uma vírgula aqui, um adendo ali e muita coisa se descomplica. Vereadores e deputados se fartam com isso. Os casos mais evidentes são os esquemas para impedir que certas leis sejam sequer discutidas, ou boicotar votações.

– Fazer obras “beneficentes”.

Aquele empresário que lhe deu dinheiro tem uns terrenos num lugar ermo, que ele comprou baratinho, pois o local carece de certos confortos, como saneamento, luz, ruas, etc. Então, porque não providenciar para que esta região seja também atendida pelos serviços públicos? Certamente ele vai lhe agradecer quando vender os terrenos.

– Providenciar licitações combinadas.

Outros empresários estão interessados apenas em garantir trabalhos para suas empresas e gerar mais empregos. Cabe a você certificar-se de que estas boas almas não fiquem desamparadas.

– Superfaturar todo e qualquer gasto.

Alguns dos seus apoiadores, ou como você talvez prefira denominar, sua base, querem dinheiro vivo. Arredonde para cima, o mais pra cima possível, todos os gastos que fizer, até alcançar o montante desejado por eles, mais o seu percentual. Estas pessoas possuem meios de lavar a bufunfa para que mais adiante todos lucrem.

Como poderá ver, principalmente se já estiver praticando o 4º dogma, todas estas são ações que visam o bem comum e representam sempre melhorias.

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Pra você principalmente.

Planejado X Executado:

Esta é uma cobrança que sempre haverá ao longo de seu mandato. Mesmo que você nem se lembre do que comeu ontem, vai ter gente que para lembrá-lo de tudo que disse sem pensar durante a campanha.

Esta pessoas não entendem que aquilo tudo é um espetáculo insano, mas não é você que vai explicar isso pra eles.

Siga trabalhando em prol da sua base e se por acaso algo do que vier a fazer tenha alguma semelhança, ainda que pequena, com alguma coisa que prometeu durante a campanha, trate de alardear aos quatro ventos.

Fato é que rapidamente aquilo que foi dito durante a campanha será esquecido por 90% da população, e em menos de 1 ano o restante também esquecerá, ou cansará de cobrar.

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Como era mesmo?

Passo 3 – Reeleição:

Largar no meio ou continuar?

Esta é uma questão interessante. Se você acha que seu mandato de vereador ou deputado não está rendendo tudo que devia, talvez um cargo no executivo seja a solução. Basta tentar a candidatura, se conseguir se eleger, deixe seu suplente administrar seus ganhos na sua antiga função e vá explorar seus novos horizontes.

Do contrário não tem nada a perder.

Mas saiba que quanto mais lucro mais riscos se corre. As vezes é melhor seguir no legislativo e longe dos olhos. Muitos políticos fizeram carreiras inteiras de sucessivas reeleições para câmaras de todo o país.

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E foram eles que escreveram as regras do jogo.

Se você já ocupa um cargo no executivo, a segunda metade do mandato é para preparar a reeleição. É neste período que você vai anunciar seus planos mais ambiciosos, e preparar suas obras para que estejam mais ou menos prontas para inauguração no finzinho do mandato.

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Quantos shows desde a inauguração?

Se fizer tudo direitinho, a reeleição está no papo.

Dificilmente seus oponentes terão seus nomes mais frescos na cabeça do povão que você, e certamente não contarão com todos os exemplos fresquinhos de “benfeitorias”.

O segundo mandato segue conforme o primeiro, mas bem mais tranqüilo, uma vez que você já está com tudo nos trilhos. O maior trabalho será encher a bola de um sucessor, que lhe garantirá alguns dividendos depois que deixar o cargo.

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Ou não.

Finalizamos nosso curso por aqui.

Isto é o básico que se deve saber para que possa começar a vislumbrar e explorar uma carreira na política, para mandar nesse povo que adora um cabresto.

Existem muitos detalhes que serão abordados em cursos mais avançados.

Outros cursos:

– Casar para governar: Coronéis e famílias poderosas.

Família real maranhense.

– Loterias e outros esquemas infalíveis para justificar renda.

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– Técnicas de oratória: Como dizer tudo e nada ao mesmo tempo.

De fato.

De fato.

(Grátis uma apostila exclusiva com sotaques regionais e como pronunciar as palavras tal como o povão, pra eles acharem que você é um deles.)

– Longe dos olhos longe do coração: Como manipular as coisas por trás dos panos.

Agora mais longe das vistas ainda.

– Sou idiota mais sou simpático: Como ser um bom testa de ferro sem se queimar.

FDP

– Fui pego! E agora?: Como dar a volta por cima e seguir lucrando.

Um mestre no 4º dogma.

E muito mais.

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Feb
03
2009
19

A Saga do Seguro Desemprego

Estou desempregado. Isto é ruim porque não tenho mais meu salário com o qual contava para realizar num futuro próximo vários sonhos que dependem do “vil metal”, como diria um amigo meu.

Por outro lado é esta a razão deu ter tido tempo para criar este blog e me comprometer a escrever ao menos um post por semana.

É uma meta a se cumprir. Me cobrem se eu faltar com ela.

Outra coisa boa é a participação num projeto interessante sobre o qual falarei mais adiante noutra postagem. (envolve quadrinhos)

Inclusive por causa deste projeto e do meu aniversário que eu acabei atrasando a publicação desta postagem.

Certamente aproveitei muito para descansar. Coloquei em dia meus vícios eletrônicos, leituras e venho estudando formas alternativas de se ganhar dinheiro.

Resumindo há males que vêm para bem e o importante é saber aproveitar o que existe de bom em cada situação, sempre existe algo de bom, ao menos um aprendizado para não cometer novamente o mesmo erro.

 

Mas esta postagem é sobre o seguro desemprego. Meu sustento oficial até março.

O primeiro passo é dar entrada. Felizmente a empresa em que trabalhava foi muito correta e solícita, o RH conduziu muito bem, a mim e aos demais que perderam seus empregos na mesma leva.

Passamos o mês de setembro em aviso prévio e em outubro já estava com toda a papelada. É algo bem confuso. Várias vias, uma para cada lado, dar baixa na carteira e chegamos ao que mais interessa neste momento: Quanto receberei do FGTS + recisão e quanto receberei de seguro desemprego?

A parte do FGTS + recisão foi fácil depois que um colega da leva descobriu um site que calcula tudo isso, além de outras contas que pobres mortais sem conhecimentos de direito e contabilidade não são capazes de executar.

Recebi inclusive duas listinhas com um passo a passo de como dar entrada e sacar meus benefícios. Descobri também que, ao contrário do que muitos pensam, o FGTS tem um rendimento pífio, equivalente ao de uma poupança. Portanto aconselho que rapem o tacho logo de uma vez e invistam num fundo com melhor rentabilidade ou até mesmo numa poupança. Lembrando que o FGTS só pode ser sacado em momentos específicos, durante um breve período, após o qual você é obrigado a esperar a próxima chance.

E lá fui eu de posse de toda a papelada e atento às listinhas para realizar estas duas tarefas simples.

Sacar o FGTS de fato não tem muito mistério. Indo a uma agência da CAIXA, e levando toda a papelada necessária você saca esta sua poupança compulsória.

O inconveniente é ficar esperando ao menos 1 hora até ser atendido. A parte mais legal de ser funcionário público e trabalhar numa repartição ou órgão do governo é saber que não precisará obedecer a nenhuma das leis que o próprio governo cria para melhor atender ao cliente.

Por isso que na CAIXA e no Banco do Brasil, em qualquer agência, existem apenas 3 guichês de atendimento: 1 para idosos, deficientes, etc..; outro sempre vazio ou “em manutenção” (sim, claro, porque fechamos muito tarde, às 16h, e nenhum técnico viria a essa hora desumana consertar o que quer que seja) e um terceiro para o restante da população.

20 minutos para ser atendido? Talvez nem que você esteja na porta do banco quando ele abrir.

Pode reclamar à vontade. Pior que isso só se for reclamar do atendimento na hora de retirar passaporte na Polícia Federal. Pelo menos no banco o risco de acabar preso é menor.

O seguro desemprego são outros 500.

Dei entrada e me disseram com segurança que em 30 dias o dinheiro poderia ser sacado em qualquer agência da CAIXA levando apenas o papel que recebi ao dar entrada.

Também fui informado que, se desejasse, poderia adquirir o tal do cartão cidadão. No texto muito bonito, mas na prática…

Mais uma maneira de complicar a vida das pessoas, quando a mera identidade deveria bastar.

Aliás estão planejando uma nova carteira de identidade que se não poupar muita xerox e 300 documentos para qualquer peido que se solta em órgão do governo, não sei mais o que o fará. Muita casa de cópia vai falir.

Como o cartão cidadão você pede pelo telefone, entregam na sua casa duas semanas depois e dizem que com ele é possível (eles poderiam deixar mais claro que se trata apenas de uma possibilidade) sacar seu seguro desemprego em qualquer caixa eletrônico da CAIXA ou nas lotéricas. Eu decidi pedir um para mim.

O certo no governo é que um órgão não faz idéia do que o outro pensa, já imaginando isso eu recebi com desconfiança a notícia de que poderia agendar um atendimento na agência da CAIXA de minha escolha, para ir receber meu seguro desemprego. Ainda assim o fiz. O problema foi que acreditei quando me disseram que o pagamento já estava disponível.

Lá cheguei precisamente na hora marcada e fui ter com o gerente, já observando a fila e sabendo que a chance de algum dos eficientes caixas me chamarem pelo nome era infinitamente remota. Pela cara do gerente tive a impressão de estar informando-o de uma novidade, mas deve ter sido só impressão. De qualquer forma, temendo enfurecer um cliente a troco de nada ou apenas por curiosidade, ele decidiu me atender. Fui bem atendido e bem informado de que o dinheiro ainda não havia sido disponibilizado. Também não poderia registrar a senha do meu cartão cidadão, o que somente poderia ser feito quando estivesse em posse do mesmo.

Aqui se faz necessária uma pausa.

Entendam que esta é uma história sobre desinformação. Os órgãos governamentais não funcionam como a mercearia ou a padaria da esquina que atendem bem para que o cliente, satisfeito, retorne. Eles sabem que ninguém vai retornar ali, por mais satisfeito que fique após conseguir o que deseja. A pessoa só retornará caso aconteça outro problema em sua vida.

Daí a solução para manter a casa cheia e justificar seus salários é obrigar o cliente a retornar inúmeras vezes com o simples truque de não informar, ou não informar tudo, ou chutando o balde e dar logo a informação errada mesmo.

Boa tarde. Em que posso ajudá-lo?

Acima, o poder da desinformação.

Retornei assim ao local onde havia dado entrada no seguro desemprego.

Resposta: Hehehe… Sabe como é. Serviço público é assim mesmo, volta no banco daqui a uns 10 dias.

 

Esperei a chegada do cartão cidadão e após 10 dias do prazo retornei à agência para sacar.

Passei o cartão no caixa eletrônico e ele cuspiu um papel informando que não era possível efetuar o pagamento. Eu deveria ir ao caixa comum.

Lá fui eu novamente encarar a caixa lesada, para escutar que o sistema estava fora do ar e que por isso não poderia fazer nada.

E me pagam pra isso!

caixa: E me pagam pra isso!

No dia seguinte fui ao centro e tentei mais uma vez noutra agência e numa lotérica, com o mesmo resultado.

No outro dia, com os papéis cuspidos pelos caixas eletrônicos, fui até a agência aqui perto de casa e sentei diante da primeira atendente que encontrei numa mesa e não num guichê. Era hora do almoço e não havia gerente à vista.

Depois de alguns minutos explicando que não era possível que um sistema estivesse sempre fora do ar e pedindo que ela descobrisse outro meio deu receber meu dinheiro, convenci a mulher de que não sairia da frente dela sem alguma solução, e ela se lembrou que tinha pernas e boca e que podia ir perguntar à sua gerente.

Que surpresa a minha, quando ela retornou com a notícia de que ainda havia meio analógicos de efetuar pagamentos para o caso de pane nos sistemas. Uma guia de pagamento!!

Fui encaminhado direto à caixa songamonga que a contragosto me pagou cada centavo, digo isso porque o valor termina com 16 centavos e ela havia me dado apenas 15, me obrigando a exigir o 1 centavo como a um caixa de supermercado relapso.

Muito trabalho, mas finalmente descobrira a maneira de sacar meu dinheiro? No mês seguinte descobri que não.

Estava eu novamente na fila esperando minha vez no guichê da retardada. Ao ser atendido, surpresa! Mais uma vez o sistema fora do ar, e assim sendo, lembrei à débil mental que ela havia me pago no mês anterior por meio de uma guia. Pedi que ela procedesse da mesma forma. Tal qual um autômato, ela respondia apenas que nada podia fazer. Daí apertou um botão para chamar o próximo da fila.

Provavelmente este.

Provavelmente este.

Esta atitude provocou a reação natural, que todos temos quando não somos compreendidos, de elevar o tom de voz e seguir pedindo para ser atendido.

Nisso o gerente percebeu a confusão e agiu prontamente para solucionar o problema, me informando que o pagamento com guia, sei lá porque cargas d`água, só pode ser feito na primeira parcela.

Estão vendo a desinformação? E neste caso um golpe duplo, da outra idiota no mês anterior, com esta caixa, pois nenhuma se dignou a me dar esta simples explicação.

O gerente ainda completou dizendo que o meu valor, sendo “quebrado”, só poderia ser sacado nas lotéricas. Pediu que eu fosse até uma lotérica próxima e que retornasse caso não retirasse o dinheiro.

Então sai da agência e lá fui para mais uma etapa deste passatempo que o governo arranja para quem está sem nada para fazer.

Por vontade divina, creio, logrei sacar o dinheiro.

Fui para casa, ponderando brevemente se valia a pena retornar ao guichê da ameba para ofendê-la, agradecer ao gerente e verificar se ele havia ao menos repreendido sua funcionária. Mas preferi não me dar o trabalho e me peguei pensando na lógica do cartão do fudidão como prefiro chamar.

Não é um meio de ampliar o atendimento às pessoas, oferecendo o sistema de caixas eletrônicos e também das lotéricas para que as filas diminuíssem e tudo mais. Trata-se apenas de uma forma da CAIXA se livrar da responsabilidade de efetuar os pagamentos. 

Mês que vem tem mais. Qual será o próximo desafio? Será que terei que encarar a boçal novamente?

O que aprendi?

Que ter carteira assinada é sim um excelente negócio, a menos que seu empregador lhe ofereça o dobro ou mais do valor para que você trabalhe como PJ ou em sistema de cooperativa (trambicagem). Ainda existe o flex, parte na carteira e parte por debaixo da mesa.

Fora a parte financeira, que compensa a longo prazo, eu percebi que 1 ano de trabalho sem descanso é enlouquecedor.

Lembra daquele e-mail com cópia pra todo mundo?

Mais um e-mail com cópia pra todo mundo?

Tirar um mês de férias remuneradas por ano, sem possibilidade do patrão reclamar, é de suma importância e possibilita uma relação mais amistosa e humana no trabalho.

E no fim das contas, caso seja demitido, ainda pode descontar suas frustrações num funcionário público incompetente. Mesmo que através de um blog que ele jamais venha a ler.

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