Feb
03
2009
19

A Saga do Seguro Desemprego

Estou desempregado. Isto é ruim porque não tenho mais meu salário com o qual contava para realizar num futuro próximo vários sonhos que dependem do “vil metal”, como diria um amigo meu.

Por outro lado é esta a razão deu ter tido tempo para criar este blog e me comprometer a escrever ao menos um post por semana.

É uma meta a se cumprir. Me cobrem se eu faltar com ela.

Outra coisa boa é a participação num projeto interessante sobre o qual falarei mais adiante noutra postagem. (envolve quadrinhos)

Inclusive por causa deste projeto e do meu aniversário que eu acabei atrasando a publicação desta postagem.

Certamente aproveitei muito para descansar. Coloquei em dia meus vícios eletrônicos, leituras e venho estudando formas alternativas de se ganhar dinheiro.

Resumindo há males que vêm para bem e o importante é saber aproveitar o que existe de bom em cada situação, sempre existe algo de bom, ao menos um aprendizado para não cometer novamente o mesmo erro.

 

Mas esta postagem é sobre o seguro desemprego. Meu sustento oficial até março.

O primeiro passo é dar entrada. Felizmente a empresa em que trabalhava foi muito correta e solícita, o RH conduziu muito bem, a mim e aos demais que perderam seus empregos na mesma leva.

Passamos o mês de setembro em aviso prévio e em outubro já estava com toda a papelada. É algo bem confuso. Várias vias, uma para cada lado, dar baixa na carteira e chegamos ao que mais interessa neste momento: Quanto receberei do FGTS + recisão e quanto receberei de seguro desemprego?

A parte do FGTS + recisão foi fácil depois que um colega da leva descobriu um site que calcula tudo isso, além de outras contas que pobres mortais sem conhecimentos de direito e contabilidade não são capazes de executar.

Recebi inclusive duas listinhas com um passo a passo de como dar entrada e sacar meus benefícios. Descobri também que, ao contrário do que muitos pensam, o FGTS tem um rendimento pífio, equivalente ao de uma poupança. Portanto aconselho que rapem o tacho logo de uma vez e invistam num fundo com melhor rentabilidade ou até mesmo numa poupança. Lembrando que o FGTS só pode ser sacado em momentos específicos, durante um breve período, após o qual você é obrigado a esperar a próxima chance.

E lá fui eu de posse de toda a papelada e atento às listinhas para realizar estas duas tarefas simples.

Sacar o FGTS de fato não tem muito mistério. Indo a uma agência da CAIXA, e levando toda a papelada necessária você saca esta sua poupança compulsória.

O inconveniente é ficar esperando ao menos 1 hora até ser atendido. A parte mais legal de ser funcionário público e trabalhar numa repartição ou órgão do governo é saber que não precisará obedecer a nenhuma das leis que o próprio governo cria para melhor atender ao cliente.

Por isso que na CAIXA e no Banco do Brasil, em qualquer agência, existem apenas 3 guichês de atendimento: 1 para idosos, deficientes, etc..; outro sempre vazio ou “em manutenção” (sim, claro, porque fechamos muito tarde, às 16h, e nenhum técnico viria a essa hora desumana consertar o que quer que seja) e um terceiro para o restante da população.

20 minutos para ser atendido? Talvez nem que você esteja na porta do banco quando ele abrir.

Pode reclamar à vontade. Pior que isso só se for reclamar do atendimento na hora de retirar passaporte na Polícia Federal. Pelo menos no banco o risco de acabar preso é menor.

O seguro desemprego são outros 500.

Dei entrada e me disseram com segurança que em 30 dias o dinheiro poderia ser sacado em qualquer agência da CAIXA levando apenas o papel que recebi ao dar entrada.

Também fui informado que, se desejasse, poderia adquirir o tal do cartão cidadão. No texto muito bonito, mas na prática…

Mais uma maneira de complicar a vida das pessoas, quando a mera identidade deveria bastar.

Aliás estão planejando uma nova carteira de identidade que se não poupar muita xerox e 300 documentos para qualquer peido que se solta em órgão do governo, não sei mais o que o fará. Muita casa de cópia vai falir.

Como o cartão cidadão você pede pelo telefone, entregam na sua casa duas semanas depois e dizem que com ele é possível (eles poderiam deixar mais claro que se trata apenas de uma possibilidade) sacar seu seguro desemprego em qualquer caixa eletrônico da CAIXA ou nas lotéricas. Eu decidi pedir um para mim.

O certo no governo é que um órgão não faz idéia do que o outro pensa, já imaginando isso eu recebi com desconfiança a notícia de que poderia agendar um atendimento na agência da CAIXA de minha escolha, para ir receber meu seguro desemprego. Ainda assim o fiz. O problema foi que acreditei quando me disseram que o pagamento já estava disponível.

Lá cheguei precisamente na hora marcada e fui ter com o gerente, já observando a fila e sabendo que a chance de algum dos eficientes caixas me chamarem pelo nome era infinitamente remota. Pela cara do gerente tive a impressão de estar informando-o de uma novidade, mas deve ter sido só impressão. De qualquer forma, temendo enfurecer um cliente a troco de nada ou apenas por curiosidade, ele decidiu me atender. Fui bem atendido e bem informado de que o dinheiro ainda não havia sido disponibilizado. Também não poderia registrar a senha do meu cartão cidadão, o que somente poderia ser feito quando estivesse em posse do mesmo.

Aqui se faz necessária uma pausa.

Entendam que esta é uma história sobre desinformação. Os órgãos governamentais não funcionam como a mercearia ou a padaria da esquina que atendem bem para que o cliente, satisfeito, retorne. Eles sabem que ninguém vai retornar ali, por mais satisfeito que fique após conseguir o que deseja. A pessoa só retornará caso aconteça outro problema em sua vida.

Daí a solução para manter a casa cheia e justificar seus salários é obrigar o cliente a retornar inúmeras vezes com o simples truque de não informar, ou não informar tudo, ou chutando o balde e dar logo a informação errada mesmo.

Boa tarde. Em que posso ajudá-lo?

Acima, o poder da desinformação.

Retornei assim ao local onde havia dado entrada no seguro desemprego.

Resposta: Hehehe… Sabe como é. Serviço público é assim mesmo, volta no banco daqui a uns 10 dias.

 

Esperei a chegada do cartão cidadão e após 10 dias do prazo retornei à agência para sacar.

Passei o cartão no caixa eletrônico e ele cuspiu um papel informando que não era possível efetuar o pagamento. Eu deveria ir ao caixa comum.

Lá fui eu novamente encarar a caixa lesada, para escutar que o sistema estava fora do ar e que por isso não poderia fazer nada.

E me pagam pra isso!

caixa: E me pagam pra isso!

No dia seguinte fui ao centro e tentei mais uma vez noutra agência e numa lotérica, com o mesmo resultado.

No outro dia, com os papéis cuspidos pelos caixas eletrônicos, fui até a agência aqui perto de casa e sentei diante da primeira atendente que encontrei numa mesa e não num guichê. Era hora do almoço e não havia gerente à vista.

Depois de alguns minutos explicando que não era possível que um sistema estivesse sempre fora do ar e pedindo que ela descobrisse outro meio deu receber meu dinheiro, convenci a mulher de que não sairia da frente dela sem alguma solução, e ela se lembrou que tinha pernas e boca e que podia ir perguntar à sua gerente.

Que surpresa a minha, quando ela retornou com a notícia de que ainda havia meio analógicos de efetuar pagamentos para o caso de pane nos sistemas. Uma guia de pagamento!!

Fui encaminhado direto à caixa songamonga que a contragosto me pagou cada centavo, digo isso porque o valor termina com 16 centavos e ela havia me dado apenas 15, me obrigando a exigir o 1 centavo como a um caixa de supermercado relapso.

Muito trabalho, mas finalmente descobrira a maneira de sacar meu dinheiro? No mês seguinte descobri que não.

Estava eu novamente na fila esperando minha vez no guichê da retardada. Ao ser atendido, surpresa! Mais uma vez o sistema fora do ar, e assim sendo, lembrei à débil mental que ela havia me pago no mês anterior por meio de uma guia. Pedi que ela procedesse da mesma forma. Tal qual um autômato, ela respondia apenas que nada podia fazer. Daí apertou um botão para chamar o próximo da fila.

Provavelmente este.

Provavelmente este.

Esta atitude provocou a reação natural, que todos temos quando não somos compreendidos, de elevar o tom de voz e seguir pedindo para ser atendido.

Nisso o gerente percebeu a confusão e agiu prontamente para solucionar o problema, me informando que o pagamento com guia, sei lá porque cargas d`água, só pode ser feito na primeira parcela.

Estão vendo a desinformação? E neste caso um golpe duplo, da outra idiota no mês anterior, com esta caixa, pois nenhuma se dignou a me dar esta simples explicação.

O gerente ainda completou dizendo que o meu valor, sendo “quebrado”, só poderia ser sacado nas lotéricas. Pediu que eu fosse até uma lotérica próxima e que retornasse caso não retirasse o dinheiro.

Então sai da agência e lá fui para mais uma etapa deste passatempo que o governo arranja para quem está sem nada para fazer.

Por vontade divina, creio, logrei sacar o dinheiro.

Fui para casa, ponderando brevemente se valia a pena retornar ao guichê da ameba para ofendê-la, agradecer ao gerente e verificar se ele havia ao menos repreendido sua funcionária. Mas preferi não me dar o trabalho e me peguei pensando na lógica do cartão do fudidão como prefiro chamar.

Não é um meio de ampliar o atendimento às pessoas, oferecendo o sistema de caixas eletrônicos e também das lotéricas para que as filas diminuíssem e tudo mais. Trata-se apenas de uma forma da CAIXA se livrar da responsabilidade de efetuar os pagamentos. 

Mês que vem tem mais. Qual será o próximo desafio? Será que terei que encarar a boçal novamente?

O que aprendi?

Que ter carteira assinada é sim um excelente negócio, a menos que seu empregador lhe ofereça o dobro ou mais do valor para que você trabalhe como PJ ou em sistema de cooperativa (trambicagem). Ainda existe o flex, parte na carteira e parte por debaixo da mesa.

Fora a parte financeira, que compensa a longo prazo, eu percebi que 1 ano de trabalho sem descanso é enlouquecedor.

Lembra daquele e-mail com cópia pra todo mundo?

Mais um e-mail com cópia pra todo mundo?

Tirar um mês de férias remuneradas por ano, sem possibilidade do patrão reclamar, é de suma importância e possibilita uma relação mais amistosa e humana no trabalho.

E no fim das contas, caso seja demitido, ainda pode descontar suas frustrações num funcionário público incompetente. Mesmo que através de um blog que ele jamais venha a ler.

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