Nov
19
2009
0

O “Novo” Manifesto

“Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. Primeiro: eu não pretendo fazer coisa alguma pela Pátria, pela família, pela humanidade.

Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver-se-ia bambo, pois teria, certamente, os duzentos e tanto espíritos dos seus colegas contra ele.

Contra as suas idéias levantar-se-iam duas centenas de pessoas do mais profundo bom senso.

Assim, para poder fazer alguma coisa útil, não farei coisa alguma, a não ser receber o subsídio.

Eis aí em que vai consistir o máximo da minha ação parlamentar, caso o preclaro eleitorado sufrague o meu nome nas urnas.

Recebendo os três contos mensais, darei mais conforto à mulher e aos filhos, ficando mais generoso nas facadas aos amigos.

Desde que minha mulher e os meus filhos passem melhor de cama, mesa e roupas, a humanidade ganha. Ganha, porque, sendo eles parcelas da humanidade, a sua situação melhorando, essa melhoria reflete sobre o todo de que fazem parte.

Concordarão os nossos leitores e prováveis eleitores, que o meu propósito é lógico e as razões apontadas para justificar a minha candidatura são bastante ponderosas.

De resto, acresce que nada sei da história social, política e intelectual do país; que nada sei da sua geografia; que nada entendo de ciências sociais e próximas, para que o nobre eleitorado veja bem que vou dar um excelente deputado.

Há ainda um poderoso motivo, que, na minha consciência, pesa para dar este cansado passo de vir solicitar dos meus compatriotas atenção para o meu obscuro nome.

Ando mal vestido e tenho uma grande vocação para elegâncias.

O subsídio, meus senhores, viria dar-me elementos para realizar essa minha velha aspiração de emparelhar-me com a “deschanelesca” elegância do Senhor Carlos Peixoto.

Confesso também que, quando passo pela rua do Passeio e outras do Catete, alta noite, a minha modesta vagabundagem é atraída para certas casas cheias de luzes, com carros e automóveis à porta, janelas com cortinas ricas, de onde jorram gargalhadas femininas, mais ou menos falsas.

Um tal espetáculo é por demais tentador, para a minha imaginação; e, eu desejo ser deputado para gozar esse paraíso de Maomé sem passar pela algidez da sepultura.

Razões tão ponderosas e justas, creio, até agora, nenhum candidato apresentou, e espero da clarividência dos homens livres e orientados o sufrágio do meu humilde nome, para ocupar uma cadeira de deputado, por qualquer Estado, província ou emirado, porque, nesse ponto, não faço questão alguma.

Às urnas.”

Este texto foi escrito por Lima Barreto em 1915. Segue sendo até hoje a descrição mais realista do tipo de político não corrupto que encontramos por aqui.

Ficamos felizes se o sujeito não nos rouba. Como ficamos felizes se tantas outras coisas não nos agridem diretamente.

Ao meu ver um governo indolente é tão prejudicial quanto um governo ativamente salafrário.

Para não errar, fomos agraciados com um amálgama de ambos, algo notório faz muito tempo.

Sep
25
2009
2

The Graveyard Book

Mais um livro infantil do Neil Gaiman. Bem escrito, como sempre, e melhor que os anteriores.

Conta a história de um garoto, que ainda bebê tem sua família assassinada, e acaba indo parar num cemitério onde é adotado pelos fantasmas que habitam o local. É uma versão soturna do “Livro da Selva” do Kipling, algo que o próprio Gaiman não esconde. Mas, difere o desenrolar da trama.

Apesar de ser uma leitura divertida, é ao mesmo tempo frustrante por ser previsível para um leitor adulto. A cada novo livro dele fica o sentimento de que de fato Sandman foi seu grande trabalho, num nível ao qual ele não pretende chegar mais.

Apesar da Rosele discordar.

Também, o cara já não precisa provar mais nada e deve estar mais interessado em curtir sua maravilhosa biblioteca. Talvez, o dia em que eu tenha um “cantinho” assim, eu nem me interesse em fazer mais nada de sério.

Prestem atenção neste detalhe.

É ele é um sujeito batuta, não joga fora os milhares de livros que os fãs lhe dão de presente. Também foi extremamente solícito e não negou autógrafos quando veio à bienal. Diferente de outros autores que limitam o número de contemplados.

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Chegou, finalmente, nesta segunda o Necronauta#5 que ganhei na promoção do MDM. :)

Autografado com caveirinha e tudo pelo Danilo. Esse só tem impresso e a tiragem já está esgotada, mas podem ler o #7 aqui.

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Sob o risco de sair matando gente na rua, comecei a ler o tão falado “Apanhador no Campo de Centeio”.

Aug
31
2009
1

Criando seu culto

via abstinencia de sentidos

Com esse passo-a-passo, só falta se livrar dos seus escrúpulos para aplicar estas técnicas.

Não por acaso, as mesmas que vêm sendo praticadas ao longo da história por todas as religiões e muitos grupos políticos. Seja religiosa ou política, uma crença é sempre uma crença.

O vídeo me fez lembrar muito do “Clube da Luta” um excelente filme que mostra, a formação “acidental?” de um culto em torno do dito clube.

E apesar das regras (principalmente as duas primeiras):

#1 - The first rule of Fight Club is, you do not talk about Fight Club.

#2 - The second rule of Fight Club is, you DO NOT talk about Fight Club.

#3 - If someone says stop, goes limp, taps out, the fight is over.

#4 - Two guys to a fight.

#5 - One fight at a time.

#6 - No shirts, no shoes.

#7 - Fights will go on as long as they have to.

#8 - If this is your first night at Fight Club, you have to fight.

A coisa só crescia.

Budah, Moises, Jesus, Maomé,... Tyler Durden, o messias do caos.

Budah, Moises, Jesus, Maomé,... Tyler Durden, o messias do caos.

Até que virou o Project Mayhem.  Daí foi ladeira abaixo.

Cultos duram pouco, os que não acabam logo, viram religião.

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