Sep
13
2010
0

Ensino

Não é de hoje que muitas instituições de ensino ao redor do mundo buscam métodos alternativos, não apenas para atender alunos com dificuldade de lidar com o sistema tradicional, mas também para estimular um aprendizado mais eclético, ou visando incentivar o desenvolvimento das qualidades inerentes de cada um.

Para tanto, o método deveria incentivar o aluno a buscar sua área de interesse. Havendo interesse existe maior pré-disposição para o aprendizado.

Se o aluno demonstra maior aptidão e interesse por artes, exatas, esportes, etc. Que seu currículo gire em torno disto.  Ao longo da vida acadêmica a tendência será um foco cada vez maior em poucas áreas de interesse, que definirão sua formação profissional da maneira mais natural possível, pois não haverá um momento de escolha. A mesma se daria ao longo de anos de acompanhamento.

Aqui no Brasil o vestibular torna a escolha profissional bem radical para muitos, mas isso corre com a maioria dos jovens ao redor do mundo, que de uma hora para outra têm que decidir que carreira seguir, sem nunca terem sido incentivados a pensar no que de fato gostam de fazer, ou por falta de oportunidade de conhecer melhor aptidões além de leitura, cálculo e ciências.

Muito conteúdo e pouca aplicação.

O sistema que proponho seria o seguinte:

Escolas de fato multi-disciplinares, com espaço para artes e esportes que muitas vezes são negligenciadas ou bem restritas no Brasil.

Expondo o aluno a uma grande gama de vertentes de conhecimento, fica mais fácil que ele descubra onde residem seus interesses e aptidões. Aos poucos algumas áreas serão descartadas e outras intensificadas e aprofundadas.

Cada matéria seria composta de diversos níveis, desde o mais básico ao profissionalizante, e o aluno poderia ser bom em música e péssimo em matemática, portanto ele naturalmente evoluiria e ocuparia mais de seu tempo no aprendizado musical, podendo deixar a matemática de lado assim que passasse pelo nível básico. Contudo, nada impediria, no futuro, deste aluno retomar o estudo matemático caso sinta necessidade de algum aprofundamento, a partir de onde parou.

Este sistema seria interessante, não só para tornar o aprendizado mais simpático aos alunos, mas também para aproveitar melhor o potencial inerente de cada pessoa. Quanto mais cedo alguém descobre sua vocação, mais cedo começa a produzir dentro de seu campo e com maior eficiência pois sua formação foi desde o início voltada para aquilo. O aluno percebe logo uma finalidade prática naquilo que aprende. Ele deixa de ser um mero custo para a sociedade, e passar a fazer valer o investimento como mão de obra.

Outro aspecto que torna este sistema mais barato e eficiente que o tradicional é o fato de se perder menos horas de ensino com todos os alunos, lecionando especificidades de matérias que fatalmente, salvo no caso de gênios, serão esquecidas, pois não farão parte de sua formação profissional, ou de seu dia-a-dia.

Este tempo seria preenchido com maior foco no direcionamento que o estudante for dando ao seu currículo, e também com matérias que foram quase que abolidas do currículo nacional, ou nunca existiram. Matérias que ensinassem mais sobre a vida em si, como habilidades e fatos do dia-a-dia de qualquer cidadão: leis, processos burocráticos, o sistema político em que vivemos, apara que servem e como lidar com os vários órgão do governo, culinária, economia doméstica e outras tantas.

Resultado:

Ao terminar o que hoje é considerado o ensino fundamental, o estudante já terá todo um direcionamento na formação, e estará bem ciente do seu papel na sociedade. Sua formação pode seguir se aprofundando no caminho que vinha traçando, ou mudar radicalmente, mas ele já será capaz de trabalhar dentro de algum campo.

Toda a área de conhecimento teria um nível básico, que seria voltado para o que fosse útil no dia-a-dia. Matemática, por exemplo, não iria além de equações elementares.

Isso nem pensar.

A partir do momento em que completasse o nível profissionalizante de um dos ramos, o estudante já poderia abandonar o estudo formal, de todo, ou parcialmente. Desta forma ele poderia ter uma vida profissional, e/ou seguir se aprofundando mais num tema acadêmico

Alguns podem temer que este direcionamento acadêmico incorra numa formação de especialistas com pouco conhecimento geral.

Sou da opinião de que conhecimento geral é algo que depende muito do interesse de cada um. Com um conhecimento básico, quem tem maior interesse pode buscar se informar. Quem é desinteressado pode ser apresentado a diversos fatos, e seguirá ignorante.

Mas este temor vem justamente da nossa formação tradicional, que busca ser o mais universal possível. Hoje em dia a mentalidade é menos tacanha, pois métodos que visavam a memorização de muitos nomes e dados já foi em boa parte abolido, mas o sistema de avaliação ainda insiste muito no exercício da memória e não tanto no raciocínio lógico. Isto porque se trata de um sistema educacional que se originou em tempos em que o conhecimento humano não era tão vasto como hoje, logo era mais fácil se interar de boa parte do que se sabia dentro das várias ciências.

Nestes tempos também era muito difícil ter acesso a dados registrados, e por isso a memorização era valorizada no aprendizado, pois fora do ambiente acadêmico não haveria meios fáceis de averiguar tais informações, portanto a pessoa deveria tê-las decoradas.
Para completar, nosso sistema de ensino básico é todo voltado para o vestibular onde o que se avalia é a capacidade de memorização acima de tudo e não o raciocínio.

O sistema que eu proponho, mesmo em sintonia com as tecnologias atuais que tornam fácil o acesso à informação, independe de tecnologia para funcionar. A ideia é formar pensadores e curiosos que com um bom raciocínio lógico poderão buscar o conhecimento específico por conta própria a partir do momento que dominem o conhecimento básico sobre diversos assuntos e possam correlacioná-los.

Mas como a internet poderia ajudar?

Isaac Asimov, já “cantava essa bola” décadas atrás:

É interessante como ele descreve perfeitamente a tendência atual, de prover a todos, acesso à internet, visando a informação da população. Contudo, ainda engatinhamos no que diz respeito a utilizar computadores e a rede como ferramentas de aprendizado.

Asimov propõe que cada um siga seus estudos por conta própria usando a rede como fonte de conhecimento e tendo nos professores, apenas orientadores. Isto é bem interessante e foi provado ser possível neste experimento:

Então, podemos dizer que mesmo sem um conhecimento básico bem trabalhado, mas fazendo uso dos recursos existentes hoje na rede, é possível que crianças busquem o conhecimento, se devidamente instigadas a fazê-lo.

Ao menos no que diz respeito a linguagens de programação, é possível que um completo ignorante, caso interessado, aprenda sozinho, sem auxílio de uma instituição de ensino.

Isto é algo que inclusive já acontece naturalmente, a julgar pela quantidade de informação sobre diversos assuntos existente hoje na rede, disponibilizada por profissionais e curiosos do ramo, muitos dos quais se dispõe a tirar dúvidas e auxiliar em casos específicos, via foruns, videos, etc.

Os professores não precisam temer, não se tornariam obsoletos, apenas passariam a cumprir mais seu papel como educadores e não apenas transmissores de dados. Sua função seria mais a de instigar esta sede de conhecimento nos alunos e ajudar a despertar neles este raciocínio lógico que permitirá alçarem voo por conta própria.

Educaríamos as crianças para serem autodidatas, a buscarem e gerarem o conhecimento, não sendo passivas diante do mesmo. Como bem exemplificado na palestra abaixo:

É fato que para tais mudanças o ambiente escolar que conhecemos teria que ser bastante modificado.

Infelizmente:

Além do atraso em que nos encontramos, temos de presenciar nosso governo dando passos no sentido contrário, com este, onde o pai de dois garotos em minas ainda está sendo processado por tê-los educado em casa por 2 anos, mesmo após os filhos terem passado por uma bateria de provas (bem mais rigorosas que as dos alunos comuns) e provado que possuem um bom nível acadêmico mesmo dentro do currículo proposto pelo governo.

O pai (Cleber Nunes) fala mais nesta entrevista.

Historicamente, a educação em massa reforçava o sentido de nação e também direcionava a formação das pessoas para áreas consideradas mais importantes para o país, então tinha seu mérito e utilidade. Mas atualmente, é um método muito engessado, dada a dinamicidade com que o mercado de trabalho e o mundo se modificam, e com a oferta de informação abundante de que dispomos gratuitamente, também se mostra bem mais custoso.

A conclusão é que a razão do governo manter tal sistema, é ter maior controle sobre a população e ditar como as pessoas devem interpretar vários assuntos.

Torná-lo compulsório é prova disto.

Assim, os governantes seguem no poder educando o povo o suficiente para votarem compulsoriamente sem meditar sobre nada, enquanto a mídia cuida do restante da alienação.

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Jul
27
2010
2

A Crueldade da Rede

Recentemente os auto-entitulados paladinos da rede do site 4chan deram uma de valentões pra cima de uma garotinha boboca de 11 anos, por ela ser boboca.

O resultado foi este:

Entenda a história.

O texto linkado conclui bem a questão.

Trata-se de um problema que existe hoje devido à incapacidade das gerações anteriores em lidar com a internet, mas que ainda existirá na geração dos nossos filhos e netos e só não desaparecerá porque idiotas existem aos montes.

Cabe a cada um educar sua prole em como lidar com a rede, mais ou menos como instruimos crianças ao sair na rua.

Podem inventar vários filtros de controle de acessos de crianças e jovens, contudo, não me surpreenderei se já existam, ou venham a existir mecanismos de burlar estes filtros, tanto por parte dos jovens usuários quanto por parte de sites bloqueáveis.

Os hackers do 4chan foram cruéis, mas agiram conforme costuma agir, de forma imprevisível e inclemente contra algo que julgaram merecedor de sua atenção (devia estar faltando assunto). Mais errados estavam os pais em criar uma garotinha mimada e deixá-la se expor na rede como bem entendesse.

A garota serviu de mais um exemplo para todos de que a internet é uma ferramenta muito poderosa que pode se voltar contra nós, ou a nosso favor, conforme a manusearmos.

A Cyberpolice ainda está longe de existir. E para o bem de todos é melhor ficar assim.

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May
17
2010
16

Transporte

Faz algum tempo que acompanho o blog Metrô do Rio, onde o Miguel Gonzáles reporta e comenta as novidades e imbecilidades a respeito do metrô carioca, cujo serviço tem decaído constantemente nos últimos anos, somando às outras mazelas de nossa cidade, onde, contraditoriamente, o custo de vida só aumenta.

O transporte de massa na cidade do Rio de Janeiro, é um dos piores problemas, não apenas aqui como em todo o Brasil.

Seu péssimo estado é responsável direto por boa parte da favelização de todas as grandes cidades.

Então, cansado de apenas reclamar das idiotices que visam apenas desvio de verbas, ou da simples inação de nossos governos, decidi dar minha opinião sobre como gostaria de ver este problema resolvido no Rio de Janeiro.

Não entro aqui em detalhes de engenharia, ou custos. Mas não penso que se trate de um projeto utópico, não fosse a total disposição ao latrocínio de (antigos e atuais) prefeitos, vereadores, governadores e por aí vai.

O porque de nada acontecer.

O porque de nada acontecer.

Decidi me ater ao município do Rio de Janeiro e no máximo sugerir ligações com municípios vizinhos. Do contrário, seria um trabalho sem fim e que pouco acrescentaria ao que desejo demonstrar, que é o quão distante estamos de um transporte urbano eficiente e instigar a discussão sobre o tema com a minha contribuição, oferecendo talvez um melhor embasamento.

Analisando o Terreno:

O Rio de Janeiro é dividido por 3 maciços, representados em vermelho no mapa.

Os Maciços da Tijuca, da Pedra Branca e do Mendanha.

A cidade se expandiu ao redor e por entre estas formações. Estes grupos de morros tornam a tarefa de conectar as diversas regiões da cidade um desafio à parte, restringindo em muito as rotas por onde seria possível construir vias de transporte eficientes e não muito custosas.

É certo que não poderemos contar com muitas linhas cruzando a cidade de ponta a ponta, salvo em pontos específicos.

Observando o mapa desta forma, poderíamos inclusive imaginar que, fosse o centro da cidade localizado na área verde do mapa, as coisas seriam bem mais simples, ao menos para chegarmos ao centro, via linhas radiais. Contudo, teríamos muitos problemas para conectar os subúrbios com linhas circulares, que teriam de cruzar os maciços em diversos pontos.

Em São Paulo, por exemplo, o metrô padece deste problema, todas as linhas convergem na região central e não existem linhas que conectem as periferias, isto provoca uma saturação de todas as linhas na área do centro.

Mais linhas, contudo, poucas conexões.

Mais linhas, contudo, poucas conexões.

Mas nossa cidade está disposta de outra forma:

Zona 1 – Esta região se estende do centro à baixada, incluindo a Ilha do Governador, que já é atualmente a mais “vascularizada” com linhas de trem e metrô. Ela continuará tendo de receber muito mais linhas, por causa do centro da cidade e ser a maior conexão de nossa cidade com os municípios vizinhos mais populosos.

Ainda assim, carece de linhas transversais às existentes, que seguem todas mais ou menos na mesma direção.

Zona 2 – A região de Jacarepaguá e Barra da Tijuca possui grande concentração populacional. É provavelmente a região que mais cresceu nos últimos anos. É geograficamente isolada do restante do município, e hoje depende totalmente de linhas do ônibus possuindo apenas uma grande via (linha amarela) para conectá-la ao restante da cidade. A estrada Lagoa-Barra não dá vazão faz tempo ao trânsito que recebe e a Rua Cândido Benício nem se fala.

Zona 3 – A zona sul, apesar de pequena, possui também grande concentração de gente, e apenas uma linha de metrô que alcança poucos bairros. Hoje sofre por servir de ponte entre a Barra e o centro.

Zona 4 – Por fim, a região noroeste, de Marechal Hermes a Santa Cruz, que conta hoje com apenas um ramal de trem. É de todas, a que possui menor concentração populacional, mas se dispersa por uma grande área. Esta região aponta para o crescimento urbano do Rio de janeiro além do Maciço da Pedra Branca, uma área já bem distante do Centro da Cidade.

O caso do Metrô:

Nosso metrô consiste de duas linhas, que são unidas quase pelas pontas, logo formam na verdade uma única linha que liga a Pavuna à zona sul, passando pelo Centro.

Uma tripa só.

Uma tripa só.

A malfadada linha 1A não fez mais que admitir esta realidade e ao invés de tentar mudá-la, se comprometeu ainda mais com o problema, construindo inclusive uma nova estação para celebrar o gasto de dinheiro público com obras inúteis.

Mas não foi esta ligação que piorou a situação do metrô no Rio.

Pra começar, a expansão do metrô para Copacabana e Ipanema foi mal conduzida e mal calculada. Aumentaram o trajeto da linha e não o número de carros. Novas estações atraem novos passageiros, que somados à menor quantidade proporcional de trens, só pode resultar em super lotação. Se acrescentarmos então os inúmeros outros passageiros que são alimentados ao restrito trajeto linear, por meio dos ônibus do metrô, obtemos o caos atual.

O que a cidade precisa é de linhas que se cruzem, e sigam em outras direções que não apenas a norte sul, o que ocorre não apenas com o metrô, mas com as linhas de trem.

Tais cruzamentos são fundamentais, não apenas para incluir novos bairros na malha, mas para dispersar o fluxo de passageiros, que teria múltiplas opções para chegar a qualquer ponto na cidade.

Hoje a concessão do metrô rende muito dinheiro, não apenas proveniente das passagens, mas da enorme publicidade feita nos trens e nas estações. Com todo este dinheiro arrecadado, seria possível a construção de novas linhas e estações, ao invés de apenas disponibilizar novas linhas de ônibus com trajetos que deveriam ser percorridos por linhas de metrô de verdade.

Ainda com relação às concessões, acredito que os trens urbanos e o metrô deveriam ser geridos pela mesma concessionária. São transportes de igual importância, complementares e bastante semelhantes em termos de funcionamento. Um gestão única para ambos, facilitaria a criação de estações conjuntas, e a baldeação dos passageiros entre as linhas. Tal como é hoje, a maioria das pessoas seria relutante em fazer uma baldeação do trem para o metrô ou vice-versa, uma vez que isto envolveria pagar mais uma passagem. Com a saturação das linhas é preciso estimular ao máximo tais baldeações que diluiriam os passageiros entre elas.

O Mapa:

Neste estudo me atenho ao básico que são as linhas de trem e metrô.

No mapa, tracei primeiro as linhas de trem e metrô que existem hoje.

Nas linhas 1 e 2 do metrô, eu incluí algumas estações.

Para facilitar a compreensão eu criei três versões do mapa da cidade:

(clique nos mapas para vê-los por inteiro)

Mapa detalhado

Mapa detalhado (.zip 87MB)

w

Mapa Geral, com linhas destacadas

Mapa Esquemático

Mapa Esquemático

Os dois primeiros são geograficamente corretos, o terceiro é um mapa apenas com as linhas e suas estações, de forma a facilitar a localização por parte do passageiro.

Este mapa esquemático é um dos típicos mapas de localização, com pouca ou nenhuma referência geográfica, atendo-se ao básico para que o passageiro saiba como ir de uma estação a outra. Foi inspirado no desenho mapa do metrô de Londres, que acredito ser o mais claro, após pesquisar vários.

Além das estações já existentes, batizei apenas as baldeações e outras poucas.

Contudo, mantive no mapa os retângulos que utilizei como referência do espaço ocupado pelos possíveis nomes das estações.

As Linhas:

Linha 1:

Tijuca – Gávea

26 estações ao todo.

Inclui as estações: Uruguai, as estações Álvaro Ramos, que já deveriam ter sido construídas faz tempo. Também acrescentei as estações:

Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alá, Antero de Quental e Miguel Couto e PUC, onde a linha terminaria.

Linha 2:

Pavuna – Centro

20 estações ao todo.

Inclui as estações: Sapucaí, Praça da Cruz Vermelha e Santos Dumont.

Assim a linha 2 passaria a cruzar com a linha 1 na estação carioca, além da Estácio.

Isto segue o plano original e mais correto para estas duas linhas, ignorando a idiotice de unir ambas.

Contudo, não descarto a estação Cidade Nova, que nos meus planos pertenceria à outra linha, conforme falarei mais adiante.

Novas linhas:

Linha 3:

Botafogo – Recreio

27 estações

Após São Conrado, passaria por baixo do morro do Joá, até alcançar a pedra defronte à Ponte Velha, por onde o metrô já sairia na superfície e teria uma estação defronte à praça Euvaldo Lodi, a da igreja redonda. A partir daí seguindo pelo espaço central entre as pistas da Av. Armando Lombardi e posteriormente Av. das Américas, seguindo assim até o final do Recreio, onde a Av. das Américas cruza a Estr. Ver. Alceu de Carvalho. O grande custo desta linha seriam talvez os túneis por debaixo do morro Dois Irmãos e do morro do Joá.

Seguiria por sob a terra de Botafogo até sair na Barra, onde já sairia na superfície e poderia seguir como metrô de superfície pela ilha central da Av. das Américas até o final de seu trajeto.

Tanto esta linha, quanto as linhas 5 e 6 (mais abaixo), têm parte de seu trajeto sugerido na superfície e parte no sub-solo. Tal como a linha 2 elas podem se elevar mas certamente uma estrutura semelhante à da linha 2, principalmente no trajeto da linha 3, seria muito ruim para a paisagem. No caso da linha 3 o metrô poderia retornar ao subsolo após cruzar o trecho da lagoa da Tijuca.

Ainda assim, seria bem interessante se nestas linhas fossem usados trens mais modernos, que pudessem fazer uso de trilhos na superfície, sem toda a robustez dos trilhos elevados da linha 2. Desta forma a paisagem dos trajetos não seria tão afetada, e eu acredito que construir trilhos na superfície baratearia em muito as obras.

Linha 4:

Barra – Cordovil, passando por Jacarepaguá e Madureira.

29 possíveis estações.

Esta linha fecharia a volta em torno do maciço da Tijuca e seria uma das duas linhas que Jacarepaguá poderia ter, pois passaria apenas pelo lado mais movimentado da região.

Esta linha também seria a alternativa lógica ao projeto do infame corredor T5.

Com a diferença de que seguiria toda por sob a terra, sem tumultuar e dividir os bairros por onde passar, que é o que vai ocorrer com a construção do corredor T5, quem sabe até seguindo exatamente o mesmo trajeto, mas eu considero o trajeto que propus mais eficiente pois, principalmente no trecho de Jacarepaguá, teria mais estações e passaria por uma região mais urbanizada.

Com estas quatro primeiras linhas a cidade já teria uma condição básica de transporte de massa, uma vez que todas as grandes zonas urbanas seriam trespassadas pelo metrô, e com razoável interligação. A linha 4 seria uma grande válvula de escape, cruzando todos os ramais ferroviários e a linha 2, aliviando o fluxo de passageiros destas 4 vias e ligaria a atual zona oeste à zona norte, chegando até onde a Avenida Brasil se encontra com a Rodovia Washington Luiz. Ali poderia ser instalado um terminal rodoviário, para reduzir o fluxo de ônibus na Avenida Brasil e de onde poderiam partir muitos ônibus inter-municipais. Ao menos enquanto não passar por ali uma outra linha de metrô.

As linhas seguintes iriam não apenas ampliar o alcance do transporte de massa, mas também desafogar este “circuito” principal em torno do maciço da Tijuca.

Linha 5:

Ilha do Governado – Copacabana, cruzando a Ilha do Fundão e centro da cidade.

18 possíveis estações.

Esta linha cumpriria o papel de inserir a Ilha do Governador na malha metroviária, acabando com o isolamento desta região enorme, hoje dependente apenas de duas pontes ligando-a ao resto da cidade. Uma dor de cabeça para todos que lá vivem e trabalham fora da ilha.

No restante do trajeto, esta linha ligaria também a rodoviária à malha metroviária e cruzaria na estação Estácio, as linhas 1 e 2, para depois cruzar o Rio Comprido, o maciço da Tijuca e chegar à zona sul. Este atalho desafogaria em muito as linhas 1 e 2.

Outra possibilidade, considerando o fato de que a linha 5 cruzaria também as linhas férreas, onde hoje já está em construção a estação Cidade Nova, seria criar ali uma outra estação de trem, para aumentar ainda mais a integração metrô trem. Isto também aproveitaria a estação Cidade Nova, que ficaria inutilizada com a linha 2 completa, e o fim do arremedo que chamam de linha 1A.

Para passar pela Ilha do Fundão e posteriormente chegar à Ilha do Governador, o mais fácil seria esta linha seguir pela superfície nesta parte do trajeto, entre a última estação no continente até a estação do aeroporto.

Não podemos ignorar também, o fato de ali estar localizado o aeroporto internacional da cidade, e uma estação de metrô próxima facilitaria em muito a vida dos passageiros.

Este trajeto sugerido por mim é o mais simples possível. Uma outra opção seria a linha 4 se prolongar, cruzando para a Ilha do Governador, até alcançar os terminais do Aeroporto, onde haveria uma estação, para posteriormente descer ao longo da Avenida Vinte de Janeiro, até alcançar a estação mais próxima da linha 5.

Linha 6:

Vila Isabel – Campo Grande, passando por São Cristóvão e seguindo por boa parte da Av. Brasil.

37 estações.

Esta linha auxiliaria as linhas 4 e 2 a distribuir os passageiros no subúrbio da cidade, mas principalmente desafogaria o trânsito da Av. Brasil ao longo de seu trajeto, além de incluir os bairros de Grajaú, Vila Isabel, e São Cristóvão no trajeto do metrô. Também dividiria com o ramal de trem de Santa Cruz a carga de passageiros daquela região, inclusive se conectando com o mesmo ramal na estação de Campo Grande.

Esta linha poderia seguir mais adiante, por esta área da zona oeste.

Seria sem dúvidas a maior linha do metrô, tanto em extensão quanto em número de estações com possibilidade de contornar todo o perímetro terrestre do município.

Linha 7:

Recreio – Baixada, passando por Jacarepaguá.

19 estações.

Esta linha dividiria o fluxo de passageiros de Jacarepaguá com a linha 4, e tal como a linha 4 e a linha 2 poderia seguir adentrando a baixada. No caso da linha 7, fazendo uso do corredor de linhas de alta tensão da Light, tal como a Via Light entre São João de Meriti e Nova Iguaçu. Estes corredores, hoje ocupados em sua maioria apenas por linhas de alta tensão e favelas, poderiam ser melhor aproveitados se utilizados como trajetos desobstruídos para linhas de metrô, ou até mesmo trem.

Linha 8:


Engenho de Dentro – Niterói

14 estações.

Esta linha uniria o Rio de Janeiro a Niterói e São Gonçalo. Ligaria os bairros do Méier, e do Engenho de Dentro ao restante da malha.

Linha 9:

Recreio – Ilha do Fundão

18 estações.

Para finalizar as linhas primordiais, a linha que talvez seja a mais óbvia, tendo este mapa em mente, que seguiria o traçado da linha amarela.

Seria o grande atalho por dentro do Maciço da Tijuca. Permitiria cruzar a cidade, da Ilha do Governador até o final do Recreio em alguns minutos, com apenas duas baldeações, partilhando estações com sete das outras linhas, poderia ser considerada a linha principal da malha, junto com a linha 2.

Em Del Castilho sua estação poderia ser interligada com a já existente da linha 2.

O terreno do shopping Nova América permitiria a construção desta conexão que teria grande movimento.

Me pergunto o porquê de não terem aproveitado a construção da via expressa para ao menos preparar as fundações para tal linha de metrô. Nada como super faturar a obra duas vezes.

Estas são as 9 linhas principais de metrô, sem as quais eu acredito que o Rio de Janeiro nunca poderia dizer que possui um sistema de metrô bom, ainda que longe do ideal.

Existem diversas outras linhas que poderiam ser traçadas, cruzando as áreas da cidade que ainda se encontrariam distantes de uma estação de trem ou metrô. Estas linhas seriam em geral menos extensas e teriam como pré-requisito cortar outras linhas já existentes, nos pontos onde já existissem estações, para melhorar ainda mais a interligação da malha e evitar a dependência de algumas linhas específicas, além de distribuir melhor os passageiros, evitando super-lotação.

Dois exemplos de linhas a traçar:

Uma linha circular na Ilha do Governador, começando e terminando na ponta da linha 5, passando pelos bairros mais ermos da ilha.

Uma linha que passe por toda a Avenida Dom Helder Câmara (vulgo suburbana), passando pela Ernani Cardoso e chegando ao final da Intendente Magalhães.

Não julguei tais linhas como de suma importância, contudo seriam linhas bem prestativas.

O mapa poderia ser bem mais complexo, mas prefiro por hora aguardar os comentários de todos, e quem sabe absorver algumas idéias que sirvam para melhorá-lo.

Admito que sem um estudo detalhado, as rotas e sugestões de estações não são muito precisas, ainda assim não creio que minhas sugestões estejam longe de serem viáveis.

Enquanto desenhava o mapa, soube do traçado que planejaram para a linha que ligará a Barra à Zona Sul. E é exatamente o mesmo que eu já havia traçado em meu mapa, atentando para o detalhe do metrô saindo na barra pela mesma pedra, defronte à Ponte Velha. Acredite se quiser. Contudo trata-se de um lugar por onde já passei muito e conheço bem.

Basicamente, procurei me fiar pelo bom senso. Linhas de metrô aqui no Rio, onde o solo não é muito firme, passam sempre por sob ruas e/ou morros. Segui este mesmo princípio nas linhas que criei.

As cores foram surgindo conforme as linhas eram traçadas. Não parei para pensar em que cor ficaria mais bonita. Procurei apenas utilizar cores que fossem distintas e contrastassem. Não veria problema algum se as mesmas fossem alteradas, desde que é claro, fosse possível criar um mapa esquemático com elas, onde não houvesse confusão para um passageiro recém chegado à cidade distinguir uma linha da outra.

Muitas das linhas no mapa passam por locais totalmente favelizados, e algumas de suas estações ficam bem próximas a estes locais. Seria bom que toda esta obra de melhoria do transporte de massa levasse também urbanização a estes lugares. Além de inúmeros benefícios diretos supracitados, o aumento da segurança das linhas seria um dos benefícios secundários.

Algumas conclusões e sugestões:

Passagens

As concessionárias de trem e metrô, que ajudaram a eleger nosso governador e prefeito, não praticam o estímulo da venda de bilhetes múltiplos como nos demais países, por meio de promoções e descontos. Isto é o que diminuiria ao menos as filas nas bilheterias, além de baratear um pouco o metrô.

Seguindo a pura ganância, a concessionária vende bilhetes múltiplos sem desconto algum e com prazo de validade (1 dia por passagem). Se você usa o metrô diariamente, sem falta, pode até ser vantajoso ter um bilhete desses, por não pegar fila na bilheteria, que nunca funciona com eficiência principalmente nos horários de rush.

Contudo, quem usa o metrô diariamente, em geral possui um vale transporte, que é preferível ao bilhete exclusivo do metrô, pois pode ser usado em outros transportes e cujos créditos não têm validade.

Os bilhetes comuns também têm validade de apenas um dia, ou algumas horas.

Outro non-sense praticado é na ligação dos ônibus do metrô, que são denominados pela companhia de “metrôs de superfície”, quando nada mais são que linhas de ônibus que não param em todos os pontos e custam tanto quanto o metrô.

Vocês sabem quem vocês são.

Vocês sabem quem são.

Ao entrar nestes ônibus, o passageiro recebe um bilhete para posteriormente entrar no metrô de fato.

Mas e se eu quiser depois saltar numa outra estação, que também possui ligação com o metrô de superfície? Aí, você terá que comprar novamente o bilhete.

No sentido inverso a coisa também complica, pois se não lembrar de pedir o bilhete do “metrô de superfície” na compra do bilhete comum numa estação, você também fica a pé, ou paga novamente.

Ainda existem as linhas integração. A verdade que essa variedade de passagens, cheias de detalhes, apenas dificultam a vida do passageiro e enriquecem as companhias de transporte.

O estado deveria criar um passe único para todos os transportes.

Todas as passagens seriam geridas pela secretaria de transportes, junto às concessionárias.

As passagens teriam preço único e seriam vendidas pela secretaria de transportes a revendedores, tal como cartões de telefone. Em qualquer lugar seria possível comprar um cartão de passagem, e haveriam preços promocionais de acordo com a quantidade de passagens compradas.

O dinheiro das passagens seria repassado às concessionárias, de acordo com o número de vezes que os cartões fossem passados nos terminais eletrônicos nas estações, ou dentro dos ônibus.

Exatamente como é hoje, mas sem o trocador ou bilheteiro.

Exatamente como é hoje, mas sem o cobrador ou bilheteiro.

Este repasse já poderia ser feito descontando-se os impostos, tal como valores de possíveis multas. Sabendo que alguns transportes podem ter mais custos de manutenção que outros, o repasse também seria calculado levando isto em consideração.

Um resultado direto deste sistema seria o fim de bilheteiros e cobradores, o que reduziria em muito o custo das passagens. Tudo seria informatizado.

A população teria um ponto focal para reclamar de qualquer falha no sistema de transportes, não teria mais o jogo de empurra entre empresas e o município, que por sua vez teria muito mais poder para negociar as concessões e fazer as concessionárias cumprirem os acordos.

Repensando a logística de transporte

Falei sobre a tendência do crescimento urbano, cada vez mais distante do centro, principalmente na região noroeste do município.

Novo referencial

Novo referencial

Visando a diminuição do fluxo diário de pessoas para a região do centro, começo a pensar que a área verde do mapa poderia passar a ser trabalhada pela prefeitura para tornar-se uma região central secundária. Ali, por exemplo, poderiam ser instaladas uma nova rodoviária e porque não uma nova estação de trem intermunicipal.

A atual, Leopoldina, está abandonada há anos, decerto pelo abandono do transporte ferroviário como um todo e não por sua localização. Mas se os passageiros recém chegados à cidade fossem recebidos em uma região periférica, de onde pudessem se distribuir com maior facilidade para os demais pontos da cidade, já fazendo uso do transporte urbano da mesma, seria muito melhor e pouparíamos o centro da cidade, sempre tumultuado, desta função.

Para tanto seria necessário um transporte urbano de massa eficiente. Hoje em dia isto seria um transtorno.

O trecho de linha férrea que sai da Leopoldina poderia ser utilizado para complementar a malha de trens urbanos da cidade. Para que isto fosse possível, bastaria construir novas estações ao longo da linha.

Os trens urbanos, hoje (mal) geridos pela Supervia, não têm mais como crescer dentro do município do Rio de Janeiro, pode ser que em outros municípios ainda exista espaço para extensão de linhas, quem sabe até mesmo fazendo com que os trens cheguem a São Gonçalo e outros municípios próximos, não apenas ao norte mas também a oeste.

Dentro do Rio de Janeiro as linhas de trem existentes talvez pudessem ganhar novas estações em alguns pontos, onde os intervalos entre uma estação e outra são muito grandes, mas isto dependeria da demanda de passageiros.

Barcas

Não apenas a Ilha do Governador, mas todos os bairros e municípios vizinhos da Baia de Guanabara, se beneficiariam também de um melhor e mais abrangente serviço de barcas. Barcas que ligassem constantemente: Rio de Janeiro, Ilha do Governador, Paquetá, Duque de Caxias, Magé, São Gonçalo e Niterói. Não apenas com trajetos diretos, que certamente não se justificariam em alguns casos, mas com rotas que contornassem a baía. Seria uma alternativa ao transporte por terra e poderiam se tornar uma atração turística para todos que desejassem conhecer a Baía de Guanabara.

Ônibus

Tá mais pra estacionamento de massa.

Os ônibus urbanos deveriam ser repensados aqui no Brasil. Aqui as montadoras produzem caminhões com carroceria de ônibus. São veículos que não foram feitos para percorrer ruas e lidar com trânsito, mas sim percorrer estradas. Isto os torna mais custosos, mais poluentes e também perigosos.

Ônibus urbanos deveriam possuir motores elétricos de menor potência que ônibus de viagem. Deveriam possuir chassi baixo para facilitar o acesso dos passageiros.

Apenas estas alterações, diminuiriam os custos e a poluição a longo prazo, além de tornar os ônibus mais seguros, pois com menor potência e chassis rebaixados, eles seriam menos intimidadores no trânsito e menos propensos às irresponsabilidades dos motoristas, como excesso de velocidade.

No Brasil foi criada a ilusão de que ônibus é um tipo de transporte de massa. Nunca foi e nunca será por si só. Muito menos em cidades enormes como Rio de Janeiro.

Na minha concepção linhas de ônibus cumpririam com eficiência o transporte de passageiros em trajetos curtos e circulares, onde complementariam os trens e metrôs, interligando linhas e cobrindo pontos da cidade onde tais transportes não podem ser construídos por quaisquer razões.

Um eficiente transporte de massa para o Rio de Janeiro viria desta eficiente comunhão.

Fato é que o Brasil nunca teve um projeto de interligação de grande escala, apesar de seu vasto território. E isto se reflete nas cidades. Seja por ferrovias, hidrovias, ou até mesmo navegação de cabotagem. O pouco que havia, e ainda assim restrito a alguns poucos locais, foi abandonado em detrimento de rodovias que, por mais bem conservadas que fossem, o que não são, nunca seriam tão eficientes quanto outros meios, seja para transporte de passageiros, ou de mercadorias. Muitos governantes lucraram e lucram rios de dinheiro, provenientes de montadoras de automóveis para seguir construindo rodovias e ignorando outros meios de transporte.

Para se manter informado:

Rafael Oliveira

Grupo Grande Tijuca

Caos Carioca

Ô Piloto

Estes blogs constantemente noticiam sobre o cotidiano do Rio de Janeiro e muitas vezes denunciam os “filhos feios” dos governantes:


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May
13
2010
1

Ossos do Ofício

A falta que faz uma pessoa pensando na comunicação visual de um conteúdo, na arquitetura de sua informação e na usabilidade do meio, geralmente só é percebida tardiamente.

Muitas vezes somos vistos como meras ferramentas. Nestes casos o resultado é pouco satisfatório.

Por vezes nos vêem como instituições de caridade para as quais nos fazem o favor de oferecer serviço.

E poucas vezes, quando o resultado é menos que satisfatório, conseguem identificar a razão. Se negam a acreditar que um detalhe como não terem pago alguém para “embonecar” o produto ser o motivo do fracasso.

De fato, no que diz respeito a embelezar as coisas, ou “enfeitar pavão” talvez um programador visual não seja a melhor opção. Para isso, chame o artista plástico de sua preferência.

Prefiro me classificar como comunicador visual. O termo designer está cada vez mais vago. Traduzindo, significa projetista.

Desta forma pode se aplicar a qualquer função que exija da pessoa um planejamento prévio, para projetar como aquela tarefa será executada.

Infelizmente, hoje qualquer um se denomina projetista de algo, mesmo que não saiba conceber um projeto, ou mesmo precise fazê-lo, e trabalhe apenas segundo seus instintos, enquanto seu gosto agradar a clientela. Ou apenas técnica.

Por isso fico feliz quando vejo trabalhos de real significado sendo associados ao que faço. Como este.

Qualquer um que já teve de preencher o formulário do IR, mesmo o digital, sabe a falta que faz uma boa interface.

De que vale um carro sem volante? Ou com um painel ilegível?

Estas são as interfaces que um motorista tem com seu veículo, a forma como nós interagimos e percebemos em boa parte um carro.

A interface que temos com documentos, e todo o tipo de conteúdo visual, seja gráfico, ou virtual é sua apresentação.

Um bom programador visual pode levar um produto ao sucesso. Não se furte a contratar um (eu por exemplo).

Visite meu portifolio.

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May
10
2010
0

Anistia

Recentemente o STF se negou a revisar a Lei da Anistia.

Muitos ficaram chocados e escutei mais uma vez a afirmação:

“Rever um período autoritário e punir os responsáveis faz bem pra nossa cultura democrática. Faz bem pra nossa memória nacional, e certamente vai fazer bem pros nossos filhos, que vão ter mais orgulho do nosso regime democrático.”

Recorrente em temas relacionados à ditadura.

Não escrevo esta postagem para defender ninguém, apenas para apontar algumas coisas que tornam tais chiliques retrógrados de pouca utilidade prática para nossos problemas atuais.

Desde o fim da ditadura que tal período tem sido um alvo fácil e o predileto de cada vez mais políticos, como bode expiatório de qualquer mazela atual. Mesmo que já tenham se passado 30 anos e ao menos 20 onde tivemos um sistema com participação popular vigente, ao longo do qual, salvo a liberdade de expressão, pouco mudou.

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Também não são lembradas falhas de governantes anteriores, ditadores ou não.

É claro que muito disso naturalmente se deve à crescente participação de antigos membros da guerrilha contra a ditadura no governo. Eles posam hoje de vencedores, pois de fato deram a volta por cima assumindo as rédeas do país. E sempre que após um conflito um dos lados assume o poder, este sentimento de revanchismo e vingança surge. Nada mais natural.

Por outro lado eu penso que a princípio estas pessoas lutavam contra a ditadura como um ato de sacrifício para libertar o país de um regime opressor que julgavam ilegítimo, portanto, a mera derrocada deste regime e a restauração de uma democracia já seria recompensa suficiente. Ou não?

Para muitos de fato não foi suficiente. Se acham no direito de receber hoje pensões, muitas vezes milionárias, por tudo que sofreram durante sua luta voluntária. Se na época houve algum desapego, hoje não há mais. Acharia compreensível pensões ou indenizações para pessoas, ou familiares de pessoas que de fato comprovassem terem se tornado incapazes e sofrido perdas concretas. Mas o que vemos são prêmios por quaisquer atos anti-ditadura e quanto mais famosa é a pessoa, mais aquele ato é valorizado.

Para mim isso não passa de uma pilhagem tardia.

O problema é que esta pilhagem não acontece sobre os bens daqueles que tinham o poder na época e dos seus grandes apoiadores. Apoiadores estes que seguem sustentando os atuais governos. Seja na política ou na mídia, nunca perderam a majestade.

A pilhagem é feita sobre os fundos do governo, que a todos pertence e é engordado por todos os impostos que pagamos.

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Então, quem premia compulsoriamente estes "heróis" somos nós.

Nos tomam recursos da mesma forma que na ditadura, para beneficiar amigos e aliados sem nos consultar. Sei de membros da guerrilha na época, que de fato foram torturados, perderam parentes e tiveram suas vidas arruinadas mas que nunca tiveram grande destaque. Portanto, hoje não recebem pensão, ou recebem uma mixaria se comparado ao que recebem os que hoje se encontram no comando e nem dependem de uma pensão para viver.

Então, estas pessoas lutavam por um ideal, ou apenas por poder?

Lembrem-se que estamos falando de pessoas que já durante a guerrilha roubavam bancos, onde havia dinheiro de gente comum que nada tinha a ver com o pato, e praticavam atos de terrorismo, que vitimavam pessoas inocentes (as quais certamente não estão incluídas nas listas de pensões milionárias). Logo, pessoas tão inescrupulosas quanto os detentores do poder na época.

Voltando à questão da anistia. Foi esta anistia que permitiu um fim pacífico à já sangrenta ditadura. Nenhum dos lados tinha força de tomar, ou se perpetuar no poder. Caso a luta prosseguisse veríamos conflitos crescentes e sangrentos que se estenderiam sabe-se lá por quanto tempo. Com a anistia, os militares largaram o poder e os políticos da época puderam assumir e guiar o país ao sistema que temos hoje, em que muitos ex-guerrilheiros, foragidos na época, têm participação.

Caso os revolucionários assumissem o governo na base da força, não seria surpreendente que montassem uma ditadura de esquerda. Tão danosa quanto a anterior, haja visto o que os ex-membros destas facções fazem hoje no governo “democrático”, 30 anos depois.

Quanto à afirmação já citada acima, concordo que rever e punir os responsáveis por atrocidades do passado seria justo. Mas o que os atuais governantes querem não é punir todas as atrocidades. Apenas as praticadas pelos militares. Por isso insistem que o que deve ser revisto são os crimes de tortura, que certamente foram praticados em grande maioria pelos militares.

Quanto a isto ser bom para a cultura democrática, nossos filhos e nos tornar mais orgulhosos, discordo totalmente.

Justificam isso se apoiando em leis (posteriores ao regime militar) e tratados que o Brasil assinou. Ora, muitas leis e tratados hoje em vigor são diariamente desrespeitados por este governo. Basta ver os presídios e vários cantos do país onde direitos humanos passam longe sem tanta comoção, não fossem revoltas constantes e violentas.

Na ditadura, ambos os lados cometeram atos criminosos, ambos se beneficiaram da anistia, mas um assumiu o poder e agora quer “fazer justiça” e principalmente desviar a atenção dos problemas atuais, certamente mais preocupantes que problemas superados de um governo extinto.

Reforçaria muito mais a cultura democrática, pegar esta grana de indenizações e investir nas escolas e na agilização de reformas políticas, aumentando a participação popular no governo. Reformando o judiciário, minimizando tantas injustiças e estimulando a população a reivindicar seus diretos por vias legais.

Desta forma sim, nossos filhos seriam beneficiados e poderíamos ter mais orgulho de nossa democracia.

“Ah! Mas devemos fazer ambos.”

Ora, não sejamos inocentes. É óbvio que o ideal seria corrigir tanto os males presentes como remediar o passado, mas quando pouco vemos sendo feito para sanar os problemas atuais e tanta atenção em problemas passados, é certo que existe algo de errado.

A desculpa era gerar alívio, mas o resultado...

Numa analogia, seria como hoje eu ter dificuldades num relacionamento amoroso e ao invés de buscar discutir estes problemas e solucioná-los, ficar o tempo todo relembrando traumas de relacionamentos anteriores e perder tempo tentando discutir com ex-amores, o porquê de terem me dado um pé na bunda, ou qualquer coisa do gênero. Até que meu atual relacionamento fracasse e desta forma eu apenas acrescente mais um trauma para assombrar relacionamentos futuros.

É o que se faz na política nacional. E isso não é mérito dos recentes governos. É algo que se faz desde sempre. Precisamos acabar com este ciclo vicioso.

Qual a melhor forma de se remediar o passado do que certando o presente?

Máquina do tempo não vale.

Máquina do tempo não vale.

É graças a esta onda revisionista, que políticas fascistas como a de cotas por cor de pele são aprovadas hoje, sem consultar o povo, sem um plebiscito sequer.  Uma tentativa de consolo pela escravidão praticada pelo Brasil. Pouco importa se na época o governo vigente era uma monarquia e que hoje em dia ninguém responsável por aquilo é mais vivo. Que paguemos todos os que podem, ou não, ser descendentes de ex-escravocratas e, porque não, escravos.

Branca filha de negra e sem direito a cota racial.

Branca filha de negra. Sem direito a cota racial.

Com tais políticas, o governo somente faz instigar rivalidades infundadas e que nada contribuem para o crescimento da nação enquanto encobre falhas, como no caso, na educação.

Querem cobrar? Então, cobrem de quem de fato dava as ordens e “puxava os cordões”, não dos que seguiam ordens e talvez fossem também caçados caso não as cumprissem. Infelizmente, no caso da ditadura, os altos generais da época já estão mortos e não vejo muito esforço em punir algumas figuras hoje vivas e bem ativas.

Seria bom demais.

Seria bom demais.

Do contrário, anistiemos todos e lembremos da ditadura, escravidão e tantos outros males, apenas como algo que devemos evitar reincidir.

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Nov
19
2009
0

O “Novo” Manifesto

“Eu também sou candidato a deputado. Nada mais justo. Primeiro: eu não pretendo fazer coisa alguma pela Pátria, pela família, pela humanidade.

Um deputado que quisesse fazer qualquer coisa dessas, ver-se-ia bambo, pois teria, certamente, os duzentos e tanto espíritos dos seus colegas contra ele.

Contra as suas idéias levantar-se-iam duas centenas de pessoas do mais profundo bom senso.

Assim, para poder fazer alguma coisa útil, não farei coisa alguma, a não ser receber o subsídio.

Eis aí em que vai consistir o máximo da minha ação parlamentar, caso o preclaro eleitorado sufrague o meu nome nas urnas.

Recebendo os três contos mensais, darei mais conforto à mulher e aos filhos, ficando mais generoso nas facadas aos amigos.

Desde que minha mulher e os meus filhos passem melhor de cama, mesa e roupas, a humanidade ganha. Ganha, porque, sendo eles parcelas da humanidade, a sua situação melhorando, essa melhoria reflete sobre o todo de que fazem parte.

Concordarão os nossos leitores e prováveis eleitores, que o meu propósito é lógico e as razões apontadas para justificar a minha candidatura são bastante ponderosas.

De resto, acresce que nada sei da história social, política e intelectual do país; que nada sei da sua geografia; que nada entendo de ciências sociais e próximas, para que o nobre eleitorado veja bem que vou dar um excelente deputado.

Há ainda um poderoso motivo, que, na minha consciência, pesa para dar este cansado passo de vir solicitar dos meus compatriotas atenção para o meu obscuro nome.

Ando mal vestido e tenho uma grande vocação para elegâncias.

O subsídio, meus senhores, viria dar-me elementos para realizar essa minha velha aspiração de emparelhar-me com a “deschanelesca” elegância do Senhor Carlos Peixoto.

Confesso também que, quando passo pela rua do Passeio e outras do Catete, alta noite, a minha modesta vagabundagem é atraída para certas casas cheias de luzes, com carros e automóveis à porta, janelas com cortinas ricas, de onde jorram gargalhadas femininas, mais ou menos falsas.

Um tal espetáculo é por demais tentador, para a minha imaginação; e, eu desejo ser deputado para gozar esse paraíso de Maomé sem passar pela algidez da sepultura.

Razões tão ponderosas e justas, creio, até agora, nenhum candidato apresentou, e espero da clarividência dos homens livres e orientados o sufrágio do meu humilde nome, para ocupar uma cadeira de deputado, por qualquer Estado, província ou emirado, porque, nesse ponto, não faço questão alguma.

Às urnas.”

Este texto foi escrito por Lima Barreto em 1915. Segue sendo até hoje a descrição mais realista do tipo de político não corrupto que encontramos por aqui.

Ficamos felizes se o sujeito não nos rouba. Como ficamos felizes se tantas outras coisas não nos agridem diretamente.

Ao meu ver um governo indolente é tão prejudicial quanto um governo ativamente salafrário.

Para não errar, fomos agraciados com um amálgama de ambos, algo notório faz muito tempo.

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Sep
25
2009
2

The Graveyard Book

Mais um livro infantil do Neil Gaiman. Bem escrito, como sempre, e melhor que os anteriores.

Conta a história de um garoto, que ainda bebê tem sua família assassinada, e acaba indo parar num cemitério onde é adotado pelos fantasmas que habitam o local. É uma versão soturna do “Livro da Selva” do Kipling, algo que o próprio Gaiman não esconde. Mas, difere o desenrolar da trama.

Apesar de ser uma leitura divertida, é ao mesmo tempo frustrante por ser previsível para um leitor adulto. A cada novo livro dele fica o sentimento de que de fato Sandman foi seu grande trabalho, num nível ao qual ele não pretende chegar mais.

Apesar da Rosele discordar.

Também, o cara já não precisa provar mais nada e deve estar mais interessado em curtir sua maravilhosa biblioteca. Talvez, o dia em que eu tenha um “cantinho” assim, eu nem me interesse em fazer mais nada de sério.

Prestem atenção neste detalhe.

É ele é um sujeito batuta, não joga fora os milhares de livros que os fãs lhe dão de presente. Também foi extremamente solícito e não negou autógrafos quando veio à bienal. Diferente de outros autores que limitam o número de contemplados.

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Chegou, finalmente, nesta segunda o Necronauta#5 que ganhei na promoção do MDM. :)

Autografado com caveirinha e tudo pelo Danilo. Esse só tem impresso e a tiragem já está esgotada, mas podem ler o #7 aqui.

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Sob o risco de sair matando gente na rua, comecei a ler o tão falado “Apanhador no Campo de Centeio”.

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Aug
31
2009
1

Criando seu culto

via abstinencia de sentidos

Com esse passo-a-passo, só falta se livrar dos seus escrúpulos para aplicar estas técnicas.

Não por acaso, as mesmas que vêm sendo praticadas ao longo da história por todas as religiões e muitos grupos políticos. Seja religiosa ou política, uma crença é sempre uma crença.

O vídeo me fez lembrar muito do “Clube da Luta” um excelente filme que mostra, a formação “acidental?” de um culto em torno do dito clube.

E apesar das regras (principalmente as duas primeiras):

#1 – The first rule of Fight Club is, you do not talk about Fight Club.

#2 – The second rule of Fight Club is, you DO NOT talk about Fight Club.

#3 – If someone says stop, goes limp, taps out, the fight is over.

#4 – Two guys to a fight.

#5 – One fight at a time.

#6 – No shirts, no shoes.

#7 – Fights will go on as long as they have to.

#8 – If this is your first night at Fight Club, you have to fight.

A coisa só crescia.

Budah, Moises, Jesus, Maomé,... Tyler Durden, o messias do caos.

Budah, Moises, Jesus, Maomé,... Tyler Durden, o messias do caos.

Até que virou o Project Mayhem.  Daí foi ladeira abaixo.

Cultos duram pouco, os que não acabam logo, viram religião.

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