Sep
13
2010
0

Ensino

Não é de hoje que muitas instituições de ensino ao redor do mundo buscam métodos alternativos, não apenas para atender alunos com dificuldade de lidar com o sistema tradicional, mas também para estimular um aprendizado mais eclético, ou visando incentivar o desenvolvimento das qualidades inerentes de cada um.

Para tanto, o método deveria incentivar o aluno a buscar sua área de interesse. Havendo interesse existe maior pré-disposição para o aprendizado.

Se o aluno demonstra maior aptidão e interesse por artes, exatas, esportes, etc. Que seu currículo gire em torno disto.  Ao longo da vida acadêmica a tendência será um foco cada vez maior em poucas áreas de interesse, que definirão sua formação profissional da maneira mais natural possível, pois não haverá um momento de escolha. A mesma se daria ao longo de anos de acompanhamento.

Aqui no Brasil o vestibular torna a escolha profissional bem radical para muitos, mas isso corre com a maioria dos jovens ao redor do mundo, que de uma hora para outra têm que decidir que carreira seguir, sem nunca terem sido incentivados a pensar no que de fato gostam de fazer, ou por falta de oportunidade de conhecer melhor aptidões além de leitura, cálculo e ciências.

Muito conteúdo e pouca aplicação.

O sistema que proponho seria o seguinte:

Escolas de fato multi-disciplinares, com espaço para artes e esportes que muitas vezes são negligenciadas ou bem restritas no Brasil.

Expondo o aluno a uma grande gama de vertentes de conhecimento, fica mais fácil que ele descubra onde residem seus interesses e aptidões. Aos poucos algumas áreas serão descartadas e outras intensificadas e aprofundadas.

Cada matéria seria composta de diversos níveis, desde o mais básico ao profissionalizante, e o aluno poderia ser bom em música e péssimo em matemática, portanto ele naturalmente evoluiria e ocuparia mais de seu tempo no aprendizado musical, podendo deixar a matemática de lado assim que passasse pelo nível básico. Contudo, nada impediria, no futuro, deste aluno retomar o estudo matemático caso sinta necessidade de algum aprofundamento, a partir de onde parou.

Este sistema seria interessante, não só para tornar o aprendizado mais simpático aos alunos, mas também para aproveitar melhor o potencial inerente de cada pessoa. Quanto mais cedo alguém descobre sua vocação, mais cedo começa a produzir dentro de seu campo e com maior eficiência pois sua formação foi desde o início voltada para aquilo. O aluno percebe logo uma finalidade prática naquilo que aprende. Ele deixa de ser um mero custo para a sociedade, e passar a fazer valer o investimento como mão de obra.

Outro aspecto que torna este sistema mais barato e eficiente que o tradicional é o fato de se perder menos horas de ensino com todos os alunos, lecionando especificidades de matérias que fatalmente, salvo no caso de gênios, serão esquecidas, pois não farão parte de sua formação profissional, ou de seu dia-a-dia.

Este tempo seria preenchido com maior foco no direcionamento que o estudante for dando ao seu currículo, e também com matérias que foram quase que abolidas do currículo nacional, ou nunca existiram. Matérias que ensinassem mais sobre a vida em si, como habilidades e fatos do dia-a-dia de qualquer cidadão: leis, processos burocráticos, o sistema político em que vivemos, apara que servem e como lidar com os vários órgão do governo, culinária, economia doméstica e outras tantas.

Resultado:

Ao terminar o que hoje é considerado o ensino fundamental, o estudante já terá todo um direcionamento na formação, e estará bem ciente do seu papel na sociedade. Sua formação pode seguir se aprofundando no caminho que vinha traçando, ou mudar radicalmente, mas ele já será capaz de trabalhar dentro de algum campo.

Toda a área de conhecimento teria um nível básico, que seria voltado para o que fosse útil no dia-a-dia. Matemática, por exemplo, não iria além de equações elementares.

Isso nem pensar.

A partir do momento em que completasse o nível profissionalizante de um dos ramos, o estudante já poderia abandonar o estudo formal, de todo, ou parcialmente. Desta forma ele poderia ter uma vida profissional, e/ou seguir se aprofundando mais num tema acadêmico

Alguns podem temer que este direcionamento acadêmico incorra numa formação de especialistas com pouco conhecimento geral.

Sou da opinião de que conhecimento geral é algo que depende muito do interesse de cada um. Com um conhecimento básico, quem tem maior interesse pode buscar se informar. Quem é desinteressado pode ser apresentado a diversos fatos, e seguirá ignorante.

Mas este temor vem justamente da nossa formação tradicional, que busca ser o mais universal possível. Hoje em dia a mentalidade é menos tacanha, pois métodos que visavam a memorização de muitos nomes e dados já foi em boa parte abolido, mas o sistema de avaliação ainda insiste muito no exercício da memória e não tanto no raciocínio lógico. Isto porque se trata de um sistema educacional que se originou em tempos em que o conhecimento humano não era tão vasto como hoje, logo era mais fácil se interar de boa parte do que se sabia dentro das várias ciências.

Nestes tempos também era muito difícil ter acesso a dados registrados, e por isso a memorização era valorizada no aprendizado, pois fora do ambiente acadêmico não haveria meios fáceis de averiguar tais informações, portanto a pessoa deveria tê-las decoradas.
Para completar, nosso sistema de ensino básico é todo voltado para o vestibular onde o que se avalia é a capacidade de memorização acima de tudo e não o raciocínio.

O sistema que eu proponho, mesmo em sintonia com as tecnologias atuais que tornam fácil o acesso à informação, independe de tecnologia para funcionar. A ideia é formar pensadores e curiosos que com um bom raciocínio lógico poderão buscar o conhecimento específico por conta própria a partir do momento que dominem o conhecimento básico sobre diversos assuntos e possam correlacioná-los.

Mas como a internet poderia ajudar?

Isaac Asimov, já “cantava essa bola” décadas atrás:

É interessante como ele descreve perfeitamente a tendência atual, de prover a todos, acesso à internet, visando a informação da população. Contudo, ainda engatinhamos no que diz respeito a utilizar computadores e a rede como ferramentas de aprendizado.

Asimov propõe que cada um siga seus estudos por conta própria usando a rede como fonte de conhecimento e tendo nos professores, apenas orientadores. Isto é bem interessante e foi provado ser possível neste experimento:

Então, podemos dizer que mesmo sem um conhecimento básico bem trabalhado, mas fazendo uso dos recursos existentes hoje na rede, é possível que crianças busquem o conhecimento, se devidamente instigadas a fazê-lo.

Ao menos no que diz respeito a linguagens de programação, é possível que um completo ignorante, caso interessado, aprenda sozinho, sem auxílio de uma instituição de ensino.

Isto é algo que inclusive já acontece naturalmente, a julgar pela quantidade de informação sobre diversos assuntos existente hoje na rede, disponibilizada por profissionais e curiosos do ramo, muitos dos quais se dispõe a tirar dúvidas e auxiliar em casos específicos, via foruns, videos, etc.

Os professores não precisam temer, não se tornariam obsoletos, apenas passariam a cumprir mais seu papel como educadores e não apenas transmissores de dados. Sua função seria mais a de instigar esta sede de conhecimento nos alunos e ajudar a despertar neles este raciocínio lógico que permitirá alçarem voo por conta própria.

Educaríamos as crianças para serem autodidatas, a buscarem e gerarem o conhecimento, não sendo passivas diante do mesmo. Como bem exemplificado na palestra abaixo:

É fato que para tais mudanças o ambiente escolar que conhecemos teria que ser bastante modificado.

Infelizmente:

Além do atraso em que nos encontramos, temos de presenciar nosso governo dando passos no sentido contrário, com este, onde o pai de dois garotos em minas ainda está sendo processado por tê-los educado em casa por 2 anos, mesmo após os filhos terem passado por uma bateria de provas (bem mais rigorosas que as dos alunos comuns) e provado que possuem um bom nível acadêmico mesmo dentro do currículo proposto pelo governo.

O pai (Cleber Nunes) fala mais nesta entrevista.

Historicamente, a educação em massa reforçava o sentido de nação e também direcionava a formação das pessoas para áreas consideradas mais importantes para o país, então tinha seu mérito e utilidade. Mas atualmente, é um método muito engessado, dada a dinamicidade com que o mercado de trabalho e o mundo se modificam, e com a oferta de informação abundante de que dispomos gratuitamente, também se mostra bem mais custoso.

A conclusão é que a razão do governo manter tal sistema, é ter maior controle sobre a população e ditar como as pessoas devem interpretar vários assuntos.

Torná-lo compulsório é prova disto.

Assim, os governantes seguem no poder educando o povo o suficiente para votarem compulsoriamente sem meditar sobre nada, enquanto a mídia cuida do restante da alienação.

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Sep
23
2009
1

L.B.V.

Estes nerds maravilhosos e suas incríveis horas livres para ajudar o próximo.

Excelente descrição da internet e seu bom uso.

Agora o contraponto:

A bem da verdade é que a internet apesar de popular, ainda é muito recente e não faz parte do cotidiano da grande maioria das pessoas, mesmo que muitas destas pessoas tenham e-mails e visitem sites de vez em quando.

Esse espaço virtual ainda é basicamente explorado por entusiastas, artistas e desocupados.

Basta tomarmos como exemplo os sites de serviços públicos. Aqui no Brasil são péssimos, salvo raríssimas excessões como o site do MINC. Imagino que no resto do mundo não seja muito diferente.

Isso porque quem manda e coordena as coisas hoje em dia não conhece, usa e/ou se interessa pela internet. Logo desconhecem seu potencial e consequentemente possuem alguns temores.

Os mesmos temores que nossos avós tinham com relação à TV e nossos pais (ao menos os meus) com relação aos jogos eletrônicos. Meus pais alegavam que a razão para não me darem um Atari era que me distrairia dos estudos.

Quando a geração que já nasceu e sempre conviveu com a internet, chegar aos seus 40 – 50 anos, ai sim poderemos começar a ver o que é uma sociedade conectada.

Torçamos para que o espírito agregador e difusor de conhecimento se expanda e não acabe ou seja subvertido, tornando a rede numa máquina de alteração da percepção e manipulação do conhecimento com objetivos excusos.

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Sep
21
2009
0

Ancião #3

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Sep
10
2009
0

Ancião #2

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Jul
04
2009
2

Baixando tudo

A farra do download gratuito está chegando ao fim?

O Pirate Bay foi vendido. Para alguns a soma de US$ 7,8 milhões que alguns consideram irrisória. Pode ser que eles tenham razão, já que o site deve receber uma quantidade monstruosa de acessos por dia, e certamente anunciar ali deve custar uma boa grana.

Mas por outro lado, existe toda a complicação legal em que o site se envolveu e certamente não será barato nem fácil legalizar o site como os compradores dizem que farão.

Para isso mudarão todo o sistema do site, no fim essa grana foi apenas pelo domínio thepiratebay.com. O engraçado é quando no site for legalizado e seguir com o nome referente a pirataria.

Talvez mudem para “sailorsbay” ou “corsairsbay”.

Sou um pirata legal, sem olho de vidro nem cara de mau.

Sou um pirata legal, sem olho de vidro nem cara de mau.

Enfim, o interessante nisso tudo é a legalização do site.

Diferente do que fizeram com o Napster, onde só se aproveitou a tecnologia deles e criaram o itunes.

O que querem fazer com o Pirate Bay é algo que está mais de acordo com a realidade da internet e com os hábitos dos usuários. Não pretendem cobrar diretamente pelos downloads dos usuários, mas se desejar usar a rede p2p deles, você terá de se cadastrar e automaticamente ceder parte de sua banda de acesso ao site para que este a revenda a outras empresas interessadas.

Em suma você estará pagando sem sentir, ou até sua taxa de transferência cair vertiginosamente porque uma multinacional está sugando toda a sua capacidade de acesso a ponto de você mal conseguir baixar “gratuitamente” seus filmes, jogos e músicas.

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O que os olhos não vêem o coração não sente.

Dizem que vão inclusive dar um retorno financeiro aos usuários do site, pela cessão de banda. Ou seja, além de permitirem que você baixe de graça o que quiser, você ainda vai receber por isso?

Porque quando a esmola é muita...

Parece bom demais pra ser verdade, até porque a grana da revenda de banda para empresas, será usada principalmente para pagar aos proprietários dos direitos autorais, pelos downloads efetuados.

E como sabemos muitos deles valorizam bastante seus trabalhos.

Logo acho que não vai sobrar muito dinheiro pros usuários. É claro que se raciocinarmos sob a ótica dos americanos e dos europeus, que têm acesso à internet gratuito ou ridiculamente barato além de muito mais eficiente que aqui nós do Brasil e de boa parte do resto do mundo, a coisa pode valer a pena, pois a merreca que o site lhe dará, pode ser compatível com sua perda de banda, e esta perda pode não ser quase sentida.

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Aqui esta troca pode não compensar.

Por isso que eu ainda vejo a mera propaganda como a melhor forma de manter um negócio desses no ar, sem prejudicar em nada o acesso dos usuários.

Do jeito que o site está hoje no ar, ele funciona muito bem e alterar isso vai forçar uma mudança de hábito nos usuários, que certamente vai refletir numa queda de acessos.

Ao meu ver, o site poderia apenas registrar todas as transferências de arquivos realizadas pelo seu sistema e pagar às empresas proprietárias dos diretos autorais destas obras um valor fixo por cada um deles.

Fim de papo. O site seria um negócio legítimo de distribuição de arquivos.

O dinheiro para o pagamento seria proveniente dos anúncios disponíveis no site. E quantas empresas não pagariam fortunas por um espaço num dos sites que seria sem dúvida um dos mais acessados do mundo? Algo que ele já é hoje.

Com a diferença de que hoje, metade das empresas anunciantes são de origem duvidosa, dada a condição de ilegalidade do site.

Apesar da ganância de alguns artistas e produtores, meu raciocínio não é muito absurdo, pois o próprio itunes cobra bem barato pelos downloads oferecidos e certamente apenas parte dessa grana é usada para pagar às gravadoras pelos direitos, o resto cobre as despesae e certamente sobra lucro. Tudo bem que você acaba sendo obrigado a baixar mais de uma vez cada música do itunes. Você paga para cada máquina onde deseja ter aquela música.

Obrigado Steve!

Obrigado Steve!

Esta é a principal razão de apenas uma minoria de pessoas usar o serviço.

O hábito criado na internet foi o da gratuidade de tudo que existe ali.

Tentar cobrar das pessoas por algo que pode ser transferido gratuitamente é perda de tempo. Quem ganha dinheiro da internet, o faz com propaganda e adquirindo a maior quantidade de usuários possível, oferecendo um conteúdo atraente. O Google é o maior exemplo disso.

Os poucos casos de distribuição gratuita e legal de músicas via internet, depõem contra o viabilidade de fazer disto um negócio.

RadioHead e Coldplay certamente perderam uma excelente oportunidade de lucrar uma nota preta ao mesmo tempo quem que faziam a felicidade de milhares de fãs. Além de mostrarem ao mundo capitalista que distribuição gratuita de músicas é um mero ato de caridade.

Obrigado rapazes!

Obrigado rapazes!

A legalização do Pirate Bay não é da forma que eu julgo ideal, mas caminha na mesma direção, o que é um alento se observarmos outras tendências menos amigáveis de solução para o problema da pirataria.

O método 1984 é no momento o único que alguns políticos conseguem enxergar.

SarcozyAze(re)do são dois exemplos  de que a humanidade ainda não está pronta para a internet, além de tantas outras tecnologias.

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