Jul
11
2009
5

Bernard Cornwell

Agora chegou a hora de falar de outro autor que até agora tem sido certeza de um bom livro daqueles que eu só largo, com pena, quando terminam.

Falarei de outros, no seu devido momento. Poderia falar de livros apenas, mas em certos casos é melhor falar logo do conjunto da obra, senão me repetiria muito ou acabaria deixando de mencionar bons livros.

Talvez já tenham escutado falar de algum destes livros de Bernard Cornwell, que já foram publicados no Brasil:

Trilogia do (Rei) Arthur

Trilogia do Graal

As histórias de Sharpe (mais de vinte livros)

As Crônicas Saxônicas (ainda incompletas, com quatro livros)

Trata-se de um autor que escreve basicamente romances históricos, em boa parte sobre a história inglesa, assunto sobre o qual ele demonstra ter bastante conhecimento.

São sempre histórias de aventura verossímeis, e descritas com detalhes suficientes para colocar o leitor no ambiente, mas não a ponto de tornar a leitura enfadonha. Os livros vêm sempre com uma nota dele no final, explicando e contextualizando sua narrativa no que de fato se tem registro de ter ou não ocorrido e, muitas vezes, assumindo ter alterado um detalhe histórico ou outro por opção, para deixar a trama mais a seu contento.

Neste ponto é que os romances históricos mostram seu valor, pois 70% de tudo que é narrado de fato ocorreu ou ocorria e ver tudo sendo narrado tal como Cornwell o faz, nos permite voltar no tempo por alguns momentos e de fato ver a história acontecendo.

Na trilogia de Arthur, ele narra uma versão verossímil da lenda do Rei Arthur, mas em seu livro Arthur não é rei, mas sim um grande general bretão que consegue unir os reinos bretãos contra os invasores saxãos. O interessante é que ele soube colocar a lenda num momento histórico onde ela faz total sentido, pois é o momento que marca o fim dos druidas, com a chegada dos saxões e do cristianismo na Inglaterra. Trata-se de um período obscuro na história, pois estes povos não possuiam registro escrito. Neste livro, Cornwell aproveita também para mostrar a herança que os romanos haviam deixado naquela região, após abandonarem tudo com o colapso do império. Principalmente na maneira de guerrear. Nunca mais consegui levar a sério uma cena de batalha medieval que mostra duas turbas enfurecidas se chocando de maneira suicida.

Pra quem já leu “Brumas de Avalon” e gostou mas lamentou a ausência de batalhas, ficará em êxtase.

Alías cenas de batalha são a especialidade deste autor.

w

Derfel Cadarn, o narrador desta história, não se cansava de gritar: "Parede de Escudos!"

Passado o hiato entre a saída dos romanos e o estabelecimento do cristianismo naquelas terras, volta-se a ter algum registro, ainda que pouco, sobre o reinado de Alfredo, o primeiro rei a unir toda a Inglaterra. E é esta a história narrada nas Crônicas Saxônicas, sob a perspectiva de Uthred de Bebanburg, ou Uthred Ragnarson. Um guerreiro saxão, 400 anos após os eventos narrados sobre a lenda de Arthur, em meio à invasão dos Vikings Dinamarqueses e o esforço de Alfredo para construir seu reino.

Acessando o site do autor, enquanto escrevo esta postagem, descobri que o quinto livro está para ser lançado e mal posso esperar.

Na Trilogia do Graal somos apresentados ao exímio arqueiro inglês Thomas of Hookton lutando na guerra dos 100 anos contra os franceses.

Este personagem tem uma dinâmica um pouco distinta de Derfel e Uthred, pois não se vale tanto da força física.

Contudo, existe uma certeza sobre os heróis de Bernard Cornwell. São todos altos, fortes e muito bons no que fazem. Thomas não foge à regra e por uma razão justificada, os arqueiros que usavam os arcos longos ingleses, tinham de ser muito fortes para conseguir vergar os arcos e disparar com velocidade e precisão sua flechas. Estes arcos eram capazes de perfurar armaduras além de possuirem excelente alcance. Os ingleses devem a estes arqueiros a vitória sobre os franceses.

Acabou de sair o mais novo livro do autor “Agincourt” que também narra a história de um arqueiro inglês, como Thomas, porém na batalha já imortalizada por Shakespeare em Henrique V.

Pulando agora muitos séculos chegamos ao tenente Richard Sharpe, que é o grande carro chefe de Cornwell. Narrando as histórias de Sharpe, Cornwell conta a história do Duque de Wellington, que fez carreira no exército britânico, vencendo inúmeras batalhas, culminando com a vitória em Waterloo sobre Napoleão. São 21 livros. O autor decidiu começar sua narrativa colocando Sharpe como tenente, foi apenas recentemente que ele decidiu contar mais histórias e resolveu escrever sobre Sharpe desde o início, como um cabo do exército britânico na conquista da Índia, já sob o comando de Wellington. O livro que acabei de ler foi o segundo, cronologicamente, de Sharpe. Como comecei tardiamente, optei por ler seguindo a cronologia correta e não pela ordem de publicação.

Os livros de Sharpe inclusive foram filmados em uma série de filmes para TV inglesa, estrelados pelo Sean Bean, o Boromir do Senhor do Anéis.

Bernard e Sharpe

Bernard e Sharpe

Isto é Bernard Cornwell, muita ação, aventura, romance e uma pitada de drama, banhados em uma excelente aula de história.

Existem outros livros dele que ainda não pude ler. Tudo em seu devido tempo.

P.S.:

Era para eu ter escrito esta postagem faz algum tempo, pois tenho buscado escrever sobre bons livros que acabei de ler e já passei da metade do livro do Asimov que comecei a ler em seguida.

Portanto fiquem atentos que logo falarei de um dos mestres da Ficção Científica.

Share
Apr
18
2009
3

A Maldição do Cigano (Thinner)

Trata-se de um livro do Stephen King que acabei de ler e gostei.
Não sou fã do cara, mas o admiro pela capacidade de bolar tanta coisa, escrever rápido e escrever bem. Tá certo, que este foi o primeiro livro dele que li de fato. Mas assisti a vários filmes.
Os xiitas por favor não me apedrejem (aviso logo que apago comentário desaforado). Não sou muito chegado ao gênero de terror, se é para me assustar e ficar com medo de ir na cozinha à noite, que seja por algo realmente bom. E até agora, antes deste livro, os unicos textos de terror que me despertaram interesse e de fato me deixaram com medo, são do Lovecraft. Recomendo especialmente “The Case of Charles Dexter Ward“.

Tenho preconceito com o King porque cansei de assistir a histórias que te mantém atento o tempo todo e elocubrando mil e uma explicações para o que está acontecendo, e como tudo pode acabar para chegar no final e me frustrar, pois nada é explicado e tudo termina sem mais nem menos.

Imagino que isto se deva ao fato dele já estar pensando no livro seguinte, no final e acaba terminando as coisas de qualquer jeito. Tudo tem seus prós e contras.

O Thinner não é certamente dos mais assustadores. Pude constatar que o cara escreve bem, apesar da péssima tradução. Tradução esta com direito a pérolas do tipo: “Isto está fodidamente ruim.” 

A trama é sobre um advogado gordão que é amaldiçoado por um cigano sinistro e começa a emagrecer sem parar. Daí a tradução correta do título: “Mais magro”. Obviamente tiveram que mudar.

A trama começa lenta, mas quando engrena é ladeira abaixo, até chegar a um final que não decepciona. Os últimos capítulos me fizeram imaginar a toda a hora que diabos ia acontecer. Mas é muito mais uma história de suspense que terror. Até porque, quais as chances de você encontrar um cigano, ele não ir com a tua cara e te colocar uma maldição?  Felizmente para mim são poucas, do contrário estaria me cagando de medo.

Me empolguei e vou assistir ao filme que fizeram. Terei uma experiência Stephenkinguiana completa.

Recomendo.

Agora retornarei para o Bernard Cornwell em mais uma aventura de Sharpe.

Share

Powered by WordPress | Theme: Aeros 2.0 by TheBuckmaker.com