Mar
17
2009
3

Análise de Watchmen

O filme já estreou faz tempo, eu só fui assistir no fim de semana passado. Agora, após ruminar algumas coisas e reler a HQ, decidi postar minha avaliação sobre toda essa história. Somar ao tititi enquanto o assunto está fresco.

Também é um assunto que dá bastante pano pra manga após duas semanas onde só deu Tupiniquins aqui no blog.

Muito trabalho na nova versão do site de quadrinhos, que deve ser lançado em meados de abril.

O tempo que sobrava era pras ilustrações do Tupiniquins.

 

Devo alertar que esta postagem contém spoilers a rodo, então quem não leu a HQ e/ou assistiu ao filme, leia por própria conta e risco.

 

Vamos ao que interessa. Sou fã da HQ, esta foi a terceira vez que li, e gostei muito do filme. O filme é uma das melhores adaptações cinematográficas que já assisti, seja de um quadrinho ou de uma obra literária.

Sem dúvida a única adaptação digna de menção de qualquer quadrinho do Alan Moore.

Como bem disse um amigo meu, “O filme é tão fiel quanto poderia ter sido.” Dadas as condições é claro.

Talvez um detalhe ou outro eu mudasse, ou você fizesse diferente, mas detalhes são detalhes. A trama está lá, diálogos, trejeitos, e todas as críticas que Moore teceu em sua HQ, em relação a super-heróis, guerra fria, etc. O cerne foi conservado o restante poderia ter entrado se houvesse tempo e boa parte entrou, mas só no DVD.

A grande curiosidade de muitos seria como adaptar a quantidade de informações que era passada sobre a trama, nos textos anexos aos capítulos. Boa parte destas informações, é colocada no filme, por meio de algum diálogo extra, ou mostrado em seqüências de imagens. Pequenas coisas que eu sequer me recordava.

Nunca entendi a fama de inadaptável da HQ, mas concordo que sem recursos técnicos de hoje o filme ficaria meia boca.

Mais para bloqueio mental.

Mais para bloqueio mental.

Vou satisfazer primeiro os fãs babões e apontar algumas distinções entre o filme e a HQ. Um deles inclusive, não deve ter sido o único, disparou e-mails alarmistas, suplicando aos demais para que não assistissem ao filme, pois era algo aterradoramente horroroso, como se aplacado pela própria criatura extra-dimensional da HQ.

Sabendo que todo o babão é na verdade um babacão, e estando eu pra lá de vacinado no que diz respeito a péssimas e hediondas adaptações,

O horror, o horror...

O horror, o horror...

ignorei os alarmes e comprovei mais uma vez esta afirmação. Penso cá com meus botões que alguém que corre para assistir a um filme na estréia e em seguida tenta convencer seus coleguinhas a não assistir ao mesmo filme, chegou a um nível de babaquice que extrapola o simples prazer de ter assistido antes dos outros. A pessoa recorre a tentativas pífias como esta de ser o ÚNICO a ter assistido. Garanto que este ser mal podia esperar o dia em que o filme saísse de cartaz para anunciar seu chiste aos demais.

É o tipo de gente que peida debaixo do lençol só pra curtir o odor a sós.

E nunca tão generoso.

E nunca tão generoso.

1 – Pra começar, temos o novo final que é uma solução tão boa quanto o original e possibilita encurtar a trama para ser algo compreensível num filme de duas horas e meia.

É claro que a lula gigante, numa morte sangrenta e horrorosa, espalhando pânico mortal para milhões e deixando vestígios de terror por anos nas mentes dos homens, é mais poético e reforça a idéia do plano de Ozimandias que era o de aplicar um susto grande o suficiente na humanidade afim de que, com perdas mínimas, nossos líderes pudessem ter noção do horror que estavam prestes a cometer. Além disso temer que acima de tudo um terceiro inimigo, que estaria bem vivo nas memórias de todos para sempre. Mesmo que este inimigo jamais aparecesse. A partir dai, a solução seria conduzir a humanidade a uma existência de amizade mútua e abandono de relações agressivas. Como abandonar os arsenais nuclerares cientes de que monstruosas criaturas extradimensionais poderiam a qualquer momento vir tomar a Terra é outra história.

No filme o Dr. Manhattan assumiu o papel de grande vilão da humanidade. Na ausência de uma lula extra dimensional, um ser quase divino e possivelmente irado com a condição humana, atacando várias partes do mundo sem distinção de alianças, é igualmente convincente. Ele inclusive poderia retornar à Terra e representar o papel de Deus furioso e punitivo, para manter a paz. Tal como na HQ ele sai em passeio pelo universo para novas experiências metafísicas.

O final da lula tinha talvez o propósito de demonstrar o quanto a arte pode ser poderosa se usada com inteligência, uma vez que a criatura fora criada a partir da concepção de vários artistas, unindo arte e ciência, com maestria, algo que sempre gera resultados surpreendentes. Este foi um ponto de vista que o filme perdeu.

Contudo o fato de, com poucas alterações, obtermos dois desfechos de boa qualidade, com o mesmo efeito, só atesta a qualidade desta história. Fico inclusive imaginando se tal desfecho chegou a ser cogitado por Moore enquanto escrevia a HQ.

 

2 – A HQ do Cargueiro Negro, transformada em animação por razões óbvias. Estará no DVD, e espero, amarrada à trama de forma a mimetizar a metalinguagem do quadrinho.

Esta metalinguagem é muito bem usada no quadrinho, para aumentar a sensação de desespero e desolação que a guerra fria transmitia às pessoas. O sentimento que dois dedos poderiam exterminar a todos, sem o resto do mundo sequer saber o porquê, não era nada agradável. A comparação do mundo a uma jangada a deriva, fadada à morte, e flutuando às custas de tantas outras é bem forte.

A narração do náufrago é tão entrelaçada com a trama, que estes trechos devem ser lidos com atenção, pois os textos se confundem e você é levado a crer que trata-se tudo da mesma história. O que de certa forma é verdade.

 

3 – A HQ não tem muita ação mesmo, o filme estendeu as cenas com luta e inventou mais socos e pontapés. Mas não existem cenas inventadas. As lutas ocorrem e terminam com os mesmos resultados. Inclusive, algumas cenas de ação ficaram de fora, como o assassinato de Hollis Mason, o primeiro Coruja.

O único problema que observei nas lutas do filme, e depois confirmei por comentários de algumas pessoas que assistiram, mas não haviam lido o quadrinho, foi o exagero em alguns movimentos e efeitos de golpes. O que leva a crer que todos os mascarados tinham alguma força ou habilidade sobre-humana mínima que fosse, o que não é verdade. Nos quadrinhos alguns demonstram ser bem fortes e possuem prática em luta, mas nada fora do comum, nada que alguém que se disponha a enfrentar marginais na rua não precise ter para manter-se vivo. Na HQ este preparo físico de todos é deixado bem claro, até porque a maioria passa dos 50 e segue em forma invejável. Mesmo o Coruja com sua barriguinha.

O azulão é certamente poderoso e Ozimandias possui algo de especial também, o resto é o resto.

Mas se no filme os socos e pontapés foram exagerados, na HQ existem exageros, como quando o Rorschach põe fogo num prédio em poucos minutos, com um aerosl transformado em lança-chamas improvisado.

Aqui já vão mais longe

Aqui já vão mais longe

4 – Falando no Rorschach, senti falta de uma breve explicação sobre sua máscara no filme. Será que vai estar no DVD?

 

5 – A Bubastis é mais interessante na trama original, onde fica bem claro, e é crucial, o investimento de Ozimandias em engenharia genética. No filme ela não ganhou nem mais nem menos destaque, mas ficou meio perdida por essa mudança na trama. Mas até esmo na HQ era uma prova a mais da estravagância de Ozimandias.

 

6 – A homossexualidade de Ozimandias na HQ é mais velada e subentendida. Ele também passa mais tempo falando sobre Alexandre o Grande, seu ídolo. No filme fica mais fácil transmitir o homossexualismo por trejeitos do que na HQ. Mas no filme quiseram deixar isto bem claro e inseriram uma pastinha com o nome “Boys” no computador do vilão, quando o Coruja hackeia a máquina.

 

7 – Uma coisa que certamente ficou faltando foi falar mais dos Minutemen, porém o filme conseguiu apresenta-los muito bem na seqüência inicial, que foi muito bem feita, e no decorrer do filme inseriu mais algumas coisas.

A trama do Justiceiro Encapuzado e seu possível assassinato pelo Comediante, acredito que esteja no DVD, porque no filme o Comediante faz menção a isso enquanto apanha do Encapuzado, após tentar estuprar Sally Jupiter.

Não fez muita falta o Cap. Metrópolis não ter sido quem reuniu os Watchmen no filme.

A menção às origens polonesas de Sally Júpiter, ou melhor Juspeczyk, não são mencionadas, mas são apenas mais uma nuance no enredo da HQ.

 

8 – Em tempos politicamente corretos, o único personagem que fuma é o questionável Comediante. Laurie Júpiter, fumante compulsiva na HQ, não dá um trago sequer no filme. Acho que nesse aspecto esqueceram que o filme se passa nos anos oitenta.

 

9 – Senti falta do perfume Nostalgia de Veidt, cujo frasco tem papel tão marcante no diálogo entre Laurie e Dr. Manhattan em Marte. Protagonista de um recurso que foi usado na HQ, e poderia ter sido aproveitado de alguma forma no filme, para reforçar a idéia de simultaneidade dos eventos, que é como o azulão observa a vida.

 

10 – Pra fazer um número redondo de observações, no final da HQ Laurie e Dan visitam Sally, tal como mostrado no filme, mas estão loiros, e são fugitivos da polícia. Mas que se dane, que diferença isso faz?

 

Existem outros detalhes pentelhosos que não me dei ao trabalho de citar.

Babão que é babão reclamaria até de um slideshow da própria HQ no telão. Talvez ficasse inconformado da versão scaneada ter sido a de papel jornal, e não a em papel couchê 220gr mega super plus.

Algumas pessoas preferem a mídia ao conteúdo.

Algumas pessoas preferem a mídia ao conteúdo.

Mas torno a dizer, é um filme bem feito. É claro que posso estar iludido por já conhecer a trama, e tudo sobre os personagens. Assisti com o espírito preparado para ver uma ilustração animada do quadrinho. Não saberia dizer se um marinheiro de primeira viagem foi igualmente surpreendido pelos planos de Ozimandias, e pela revelação da identidade de Rorschach entre outras coisas que me surpreenderam ao ler a HQ pela primeira vez.

De qualquer forma o quadrinho vendeu como água, antes mesmo do filme ser lançado. Isto facilitou pro Alan Moore recusar a bufunfa direta do filme. Dessa vez ele só reclama enquanto não assistir. Mas o trauma das experiências anteriores é grande.

Nada

Nada como a anarquia para unir as pessoas. Fo isso que Moore sempre quis dizer com sua obra.

Como acho que esse discurso insistente dele contra Hollywood é puro marketing, e isca para sair na mídia. Ele vai acabar assistindo uma versão baixada em casa e quem sabe parar de bater na mesma tecla.

Quem assistiu ao filme e decidiu ler a HQ em seguida não deve se decepcionar, pelo contrário, vai acabar descobrindo muito mais sobre o que viu resumido na telona.

Com LotR (Lord of the Rings) se deu o mesmo. Muitos reclamaram da ausência do Tom Bombadil.

Eu já sou da opinião que o Glorfindel fez mais falta. Mas no geral foi uma adaptação foda. Contudo as versões estendidas são as que de fato valem a pena, por possuírem menos buracos. A única afirmação correta é que Peter Jackson é racista.

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Como Peter Jackson vê elfos e anões.

Então, como podemos ver, até a mais homenageada e idolatrada adaptação cinematográfica possui suas falhas.

Se quer algo igual, vai ler o livro, a HQ, ou fica rico e financia sua própria visão.

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Isso ai, igualzinho ao Ozimandias, mas o do filme, bem chola.

Uma adaptação mais fiel, sem deixar de fora nada que se passa na HQ, seria possível se o filme tivesse umas 4 horas de duração. Nada contra, eu adorarei assistir.

Falando aos que foram ao cinema dispostos a assistir um filme, e não apenas dizer que viu e não gostou.

Aguardemos o DVD.

Os atores estavam muito bem caracterizados, não tenho nada a falar sobre as interpretações. Confesso que estava receoso quanto ao Ozimandias. Colocaram um cara muito franzino, mas não comprometeu. A seqüência de abertura do filme é fenomenal, e aprovo quase todas as músicas escolhidas a exceção da transa ao som de Aleluia que ficou esquisita.

Melhor se colocassem a música que está na própria HQ, na brochada do Coruja, “Unforgetable” com o Nat King Cole.

E como já dizia Tio Ben. “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.” Essa é uma das mensagens de Alan Moore, que pode ser compreendida tanto na HQ quanto no filme.

Você se deixaria levar por seus poderes, alijando-se de seu lado humano como Dr. Manhattan?

Buscaria a todo o custo fazer deste mundo um lugar melhor como o Ozimandias?

Ou simplesmente riria de tudo e lucraria no caos, colhendo a carniça como o Comediante?

Podem responder abaixo. O melhor é que não existe resposta errada ou correta.

Como o Rorschach não concebia isto, preferiu dar as costas e seguir sua sina.

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Jan
19
2009
2

Matrix; uma grande decepção.

Pros que já leram esta minha opinião ou algo similar, não se desesperem ou me mandem e-mails e comentários alertando/debochando/reclamando sobre o ocorrido. A Matriz não está sendo alterada. É que eu tenho coisas velhas e bobas que escrevi faz tempo e vez em quando eu colocarei alguma delas aqui.

Sim, eu guardo coisas que escrevi e de que me orgulhei por qualquer razão, algum dia. 

Mas para vocês não perderem o click, as coisas estão repaginadas e com menos erros de português.

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Entendam, minha crítica é quanto à série. O primeiro filme é excelente e dispensa continuação.

Mas ai decidiram fazer mais dinh..filmes.

As seqüências, como muitas coisas que vemos pelo mundo afora, tinham grandes chances de serem boas, mas não foram. E eu digo porque.

Alerto para spoilers, no caso de você não ter assistido aos filmes e pretender faze-lo algum dia.

O segundo até que é bom, o problema é que ele foi uma tentativa de expandir o universo do primeiro filme. Entre o 2 e o 3 houve um burburinho enorme entre os fãs de ficção científica, que discutiam as diversas pontas soltas e pistas do segundo filme e no que poderiam resultar. O problema é que como este, se tratava de um atiçador para o terceiro filme, estas pontas soltas que sugeriam algo grandioso eram bem sutis. Eu mesmo só fui compreender algumas depois que li comentários a respeito.

Fiquei pilhado pro terceiro e me frustrei, pois na certa os diretores foram obrigados a recuar de sua ousada tentativa de fazer de Matrix um filme mais cabeça e fizeram do 3, na melhor das hipóteses, um Dragon Ball. 

Considerando tudo Matrix 3 ainda foi mais fiel.

Considerando tudo Matrix 3 ainda foi mais fiel.

Ou, o que é perfeitamente possível, fizeram o 2 de sacanagem sem nunca pretender grandes coisas. Só pra atiçar os fãs cabeçudos.

Mas as teorias que surgiram eram bem interessantes e vale a pena relembrar aqui.
A principal girava em torno do personagem Merovíngio, que teria sido o equivalente ao Neo de outra versão da Matrix. O surgimento de um Neo (i.e.: Budha matricial) é o sinal de que a Matrix precisa ser resetada, dai o nome Reloaded. Ele também tinha uma amante, a Mônica Belluci, que numa das cenas beija o Neo e lamenta que seu Merovíngio não tenha mais a mesma paixão que ela sente nele. Isto reforça a idéia de que o pomposo francês já foi um rebelde cheio de tesão reprimido como o Neo.
O Merovíngio demonstra ter tanto domínio da Matrix quanto o Neo. No filme é dito que existiram outras 5 versões da Matrix e sobre terem sido distintas da atual, ele comenta o fato de alguns “fantasmas” destas outras versões terem persistido nas seguintes e na atual. Isto explica os vampiros, lobisomens e os irmãos fantasmas que Neo e sua turma enfrentam. A partir disto, possivelmente a versão em que o Merovíngio fora o grande rebelde, a ilusão deve ter sido de um mundo de fantasia medieval ou algo do gênero, onde tais criaturas existiam.

O nome Merovíngio é inspirado em uma dinastia que viveu na França medieval, cujos membros se diziam, e até hoje não se sabe ao certo, herdeiros diretos de Cristo. Isto remete mais uma vez à idéia de Merovíngio = salvador = messias, etc…
Tal como no primeiro filme onde o dèjá vu é explicado como sendo um momento em que a Matrix é alterada, isto diz que as visões de fantasmas e seres inexplicáveis que algumas pessoas têm, nada mais são que reflexos de outras versões da Matrix. Uma analogia com o que ocorre após apagarmos arquivos de um HD comum. O que foi apagado segue gravado no disco só que fora do alcance do sistema, ainda que possam ser recuperados com programas específicos e até mesmo, dependendo do caso, persistem ao alcance, porém ocultos.
No final do filme o Neo se depara com o arquiteto que confirma pra ele a história da necessidade de resetar a Matrix, pois aquela versão já está fadada ao fracasso dada a grande quantidade de gente que fugiu e vive em Zion trabalhando para resgatar exponenciamente mais e mais pessoas das fazendas das máquinas.

O Arquiteto coloca Neo contra a parede e lhe dá a opção de se manter super poderoso e habitar a nova versão da Matrix, com sua amada que estava prestes a morrer.
Mas Neo manda ele se fuder e resolve mostrar que é, de fato, o über rebelde matrix fucker. Opção que o Merovingio não fez.

Mega revoltado.

Mega revoltado.

A cereja no sorvete foi no finzinho, após salvar a mocinha, quando Neo derruba um grupo de máquinas fora da Matrix, como se estivesse dentro dela.
O filme termina e tudo indicava uma continuação eletrizante onde estas deduções seriam confirmadas e várias hipóteses sobre como Neo poderia ao mesmo tempo salvar Zion e a humanidade pipocaram pela internet.
A que mais vingava era que na verdade, o que todos acreditavam ser o mundo real era também parte da Matrix, por isso Neo usou seus poderes ali. E fazia todo o sentido. Máquinas extremamente avançadas não deixariam um furo de segurança grave, sabendo que mais tarde teriam de resetar a porra toda novamente. Era muito idiota.
Então tudo fazia parte da fantasia e na verdade todos estavam ainda nos seus casulos. Era uma fantasia necessária, pois por melhor que possa parecer, em qualquer existência sempre haverá os descontentes, que tentarão se rebelar e derrubar o status quo. Dai a ilusão de Zion era necessária, como um ambiente onde estes rebeldes podiam ter sua válvula de escape. No melhor exemplo “futebol é o ópio do povo”, versão rave no caso.

Isto explica o fato de Neo ser super poderoso “fora da Matrix” e levantava a grande questão filosófica que daria conteúdo ao filme: A eterna rebelião contra os dogmas da sociedade valia a pena e traria de fato uma liberdade? Ou no final das contas toda a rebelião reverte em outra versão da mesma sociedade? Será que a Matrix seria destruída ou Neo teria de se conformar como o Merovíngio a viver eternamente nela, uma vez que nada nunca muda de fato?
O título Revolutions do terceiro filme era bem sugestivo.

Como vemos, o terceiro filme já havia sido concebido, pelos fãs. Um bom filme, bem calcado no enredo dos anteriores. O trabalho dos roteiristas era, baseado nisso tudo, decidir qual seria o desfecho de fato.

O mesmo trabalho que o George “the hut” Lucas teria com as prequels de Star Wars.

O resultado foi semelhante.

Não eram pistas óbvias, principalmente para o grande público, mas eu sou da opinião que ainda assim poderiam ter feito um filme cheio de ação só que com vários níveis de entendimento.

Matrix = cebola = shrek

Matrix = cebola = shrek

Não seria estranho, pois no primeiro filme várias referências sutis foram usadas, com os disquetes dentro do livro Simulacro e Simulação do Jean Baudrillard (Recomendo a leitura. Prevê muito do que temos hoje, inclusive sugerindo a Matrix. Geralmente não sou fã destes filósofos, mas é uma exceção à regra de bla bla bla enfadonho, além de ser curtinho).

O que acontece é que neste primeiro filme a compreensão não dependia em nada de tais referências. Isto seria difícil de se fazer nos outros dois e como, pelo visto, poucos pescaram, eu me incluindo ao menos na parte da dinastia Merovíngia, os caras acharam melhor nem se dar ao trabalho de explicar.

O resultado foi bem abaixo do esperado.

É, pois é.

É, pois é.

No fim, e na melhor das hipóteses, Zion tornou-se uma analogia a Salvador. Uma grande rave/micareta onde somente meia dúzia trabalhavam de fato. Por fim, a vizinhança, exausta de aturar a barulheira, invadiu o lugar e pacificou a região.

 

Nenhuma grande perda.

Nenhuma grande perda.

Ironicamente seguimos todos vivendo uma grande ilusão onde somos conduzidos à compreensão mais rasa de tudo que nos cerca.

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