Jul
13
2009
0

Ainda “Baixando Tudo”

Continuação do post anterior “Baixando Tudo“.

Hoje pelo caderno Link do Estadão, eu descobri que já existe inclusive, ao menos um livro que fala da mesma idéia que expus aqui sobre a gratuidade do conteúdo na rede. O autor é Chris Anderson.

Basicamente ele partilha da mesma opinião que eu, de que lutar contra a gratuidade do conteudo na web é inútil, mas busca respaldar esta opinião com estudos de caso.

Outra matéria do Link de hoje fala das rádios online, que lograram um novo acordo com as gravadoras, em que pagarão apenas US$ 0,093 por música. Algo que viabiliza sua existência e é compatível com a renda, mesmo de rádios pequenas, proveniente de propaganda. O valor deve subir para US$ 0,14 até 2015.

Atualmente se paga mais de 10 vezes este valor, para ter um arquivo de uma música numa máquina apenas e com o risco de ter de recomprá-lo caso venha a formatar seu HD.

Falando de música, lembro de Rock. Hoje é o dia do Rock!!

Então leiam esta postagem.

Share
Jul
04
2009
2

Baixando tudo

A farra do download gratuito está chegando ao fim?

O Pirate Bay foi vendido. Para alguns a soma de US$ 7,8 milhões que alguns consideram irrisória. Pode ser que eles tenham razão, já que o site deve receber uma quantidade monstruosa de acessos por dia, e certamente anunciar ali deve custar uma boa grana.

Mas por outro lado, existe toda a complicação legal em que o site se envolveu e certamente não será barato nem fácil legalizar o site como os compradores dizem que farão.

Para isso mudarão todo o sistema do site, no fim essa grana foi apenas pelo domínio thepiratebay.com. O engraçado é quando no site for legalizado e seguir com o nome referente a pirataria.

Talvez mudem para “sailorsbay” ou “corsairsbay”.

Sou um pirata legal, sem olho de vidro nem cara de mau.

Sou um pirata legal, sem olho de vidro nem cara de mau.

Enfim, o interessante nisso tudo é a legalização do site.

Diferente do que fizeram com o Napster, onde só se aproveitou a tecnologia deles e criaram o itunes.

O que querem fazer com o Pirate Bay é algo que está mais de acordo com a realidade da internet e com os hábitos dos usuários. Não pretendem cobrar diretamente pelos downloads dos usuários, mas se desejar usar a rede p2p deles, você terá de se cadastrar e automaticamente ceder parte de sua banda de acesso ao site para que este a revenda a outras empresas interessadas.

Em suma você estará pagando sem sentir, ou até sua taxa de transferência cair vertiginosamente porque uma multinacional está sugando toda a sua capacidade de acesso a ponto de você mal conseguir baixar “gratuitamente” seus filmes, jogos e músicas.

w

O que os olhos não vêem o coração não sente.

Dizem que vão inclusive dar um retorno financeiro aos usuários do site, pela cessão de banda. Ou seja, além de permitirem que você baixe de graça o que quiser, você ainda vai receber por isso?

Porque quando a esmola é muita...

Parece bom demais pra ser verdade, até porque a grana da revenda de banda para empresas, será usada principalmente para pagar aos proprietários dos direitos autorais, pelos downloads efetuados.

E como sabemos muitos deles valorizam bastante seus trabalhos.

Logo acho que não vai sobrar muito dinheiro pros usuários. É claro que se raciocinarmos sob a ótica dos americanos e dos europeus, que têm acesso à internet gratuito ou ridiculamente barato além de muito mais eficiente que aqui nós do Brasil e de boa parte do resto do mundo, a coisa pode valer a pena, pois a merreca que o site lhe dará, pode ser compatível com sua perda de banda, e esta perda pode não ser quase sentida.

w

Aqui esta troca pode não compensar.

Por isso que eu ainda vejo a mera propaganda como a melhor forma de manter um negócio desses no ar, sem prejudicar em nada o acesso dos usuários.

Do jeito que o site está hoje no ar, ele funciona muito bem e alterar isso vai forçar uma mudança de hábito nos usuários, que certamente vai refletir numa queda de acessos.

Ao meu ver, o site poderia apenas registrar todas as transferências de arquivos realizadas pelo seu sistema e pagar às empresas proprietárias dos diretos autorais destas obras um valor fixo por cada um deles.

Fim de papo. O site seria um negócio legítimo de distribuição de arquivos.

O dinheiro para o pagamento seria proveniente dos anúncios disponíveis no site. E quantas empresas não pagariam fortunas por um espaço num dos sites que seria sem dúvida um dos mais acessados do mundo? Algo que ele já é hoje.

Com a diferença de que hoje, metade das empresas anunciantes são de origem duvidosa, dada a condição de ilegalidade do site.

Apesar da ganância de alguns artistas e produtores, meu raciocínio não é muito absurdo, pois o próprio itunes cobra bem barato pelos downloads oferecidos e certamente apenas parte dessa grana é usada para pagar às gravadoras pelos direitos, o resto cobre as despesae e certamente sobra lucro. Tudo bem que você acaba sendo obrigado a baixar mais de uma vez cada música do itunes. Você paga para cada máquina onde deseja ter aquela música.

Obrigado Steve!

Obrigado Steve!

Esta é a principal razão de apenas uma minoria de pessoas usar o serviço.

O hábito criado na internet foi o da gratuidade de tudo que existe ali.

Tentar cobrar das pessoas por algo que pode ser transferido gratuitamente é perda de tempo. Quem ganha dinheiro da internet, o faz com propaganda e adquirindo a maior quantidade de usuários possível, oferecendo um conteúdo atraente. O Google é o maior exemplo disso.

Os poucos casos de distribuição gratuita e legal de músicas via internet, depõem contra o viabilidade de fazer disto um negócio.

RadioHead e Coldplay certamente perderam uma excelente oportunidade de lucrar uma nota preta ao mesmo tempo quem que faziam a felicidade de milhares de fãs. Além de mostrarem ao mundo capitalista que distribuição gratuita de músicas é um mero ato de caridade.

Obrigado rapazes!

Obrigado rapazes!

A legalização do Pirate Bay não é da forma que eu julgo ideal, mas caminha na mesma direção, o que é um alento se observarmos outras tendências menos amigáveis de solução para o problema da pirataria.

O método 1984 é no momento o único que alguns políticos conseguem enxergar.

SarcozyAze(re)do são dois exemplos  de que a humanidade ainda não está pronta para a internet, além de tantas outras tecnologias.

Share
Jun
01
2009
0

Six Feet

Ontem terminamos, eu e Rosele, de assistir à novela.

Família conturbada

Família conturbada

A princípio eu desdenhava e não levava fé achando que seria um draminha meio água com açúcar. Mas entre algumas ironias, reviravoltas e personagens excelentes, fui capturado pela trama. Trama esta muitas vezes deprimente, a ponto de nos forçar a parar, e assistir ou fazer coisas mais leves.

Recomendo a todos. A Rosele explica melhor a série e aproveito o post dela.

PS: Quando ela diz que “Lavou a alma”, entenda por um festival de lágrimas que culminou no último episódio, ao qual nem eu resisti.

A vida continua...

A vida continua...

Share
May
29
2009
1

If

de Rudyard Kipling

IF you can keep your head when all about you 
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise:

If you can dream – and not make dreams your master;
If you can think – and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ’em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings 
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: ‘Hold on!’

If you can talk with crowds and keep your virtue,
‘ Or walk with Kings – nor lose the common touch,
if neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And – which is more – you’ll be a Man, my son!

 

Tradução:

Se

Se consegues manter a calma
quando à tua volta todos a perdem
e te culpam por isso.Se consegues ter confiança em ti
quando todos duvidam de ti
e aceitas as dúvidas

Se consegues esperar sem te cansares por esperar
ou caluniado não recorrer a calúnias
ou odiado não deres espaço ao ódio
sem porém te fazeres demasiado bom
ou falares orgulhoso

Se consegues sonhar
sem fazeres dos sonhos teus mestres

Se consegues pensar
sem fazeres dos pensamentos teus objetivos

Se consegues encontrar-te com o Triunfo e a Derrota
e tratares esses dois impostores igualmente

Se consegues suportar
ouvir as verdades que dizes
distorcidas pelos que te querem ver
cair em armadilhas
ou encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida
ser destruído
e reconstruíres tudo de novo
com instrumentos já gastos

Se consegues numa única rodada
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa,
perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

Se consegues constringir o teu coração,
nervos e força para te servirem
já depois de não existirem,
e agüentares quando já nada tens em ti
a não ser a vontade que te diz:
“Persiste!”

Se consegues falar para multidões
e permaneceres com as tuas virtudes
ou andares entre reis e não perderes a naturalidade

Se nem inimigos
ou amigos queridos
te conseguirem ferir

Se todas as pessoas contam contigo
mas nenhuma em demasia

Se consegues preencher cada minuto
valorizando cada um dos sessenta segundos que passam

Teu é o Mundo e tudo o que nele existe
e mais ainda, tu serás um Homem, meu filho!

Share
May
29
2009
0

Curiosidades #3

Letras literais

Quatro clipes famosos, com letras alternativas. Muito bem feito.

Assista aqui.

s

O vocalista do Tears for Fears não é a cara do KIKO?


Mais do mesmo

Como fazer um hit de sucesso?
Com 4 acordes, a mesma base, os caras tocam 36 músicas.


Um lobinho nunca mente

Um curta metragem divertido.

Assista aqui.

Ou, onanismo nunca mais.


Barata Flamejante

Clique na imagem para ler

Clique na imagem para ler

Boa tirinha. Autor é o Ian, o mesmo que dirigiu o curta acima.


A história do mundo segundo Manara

Pra variar, muito sexo. Veja.


Nicola Tesla


Logo Creator

Ainda prefiro o Corel, mas este programinha certamente possui uma curva de aprendizado mais curta.


Steel Life


Querido U


Reforma ortográfica

E no contrapé do vídeo acima, temos este.
Definitivamente não é português, é um dialeto derivado, e infelizmente muito falado.


Anti-Tabagismo

Faço minhas as palavras de Danilo Gentili


Nanowar

Apresentado pelo Rafa.
O Massacration italiano. Confiram abaixo.

Metal la la la
The number of the bitch

O site deles.


Steampunk de raiz

O gênero steampunk, cada vez mais popular com suas engenhocas estravagantes já foi mera FC. Eis aqui algumas imagens.


Away!!!!

O criador do Necronauta, Danilo Beiruth fez um excelente retrato do Gil Brother. Cunhador de frases impagáveis, é um comediante que vale a pena conferir. Assistam ao Drops Away e desfrutem de momentos de reflexão sobre diversos assuntos.

Share
May
26
2009
0

Wolframalpha

Chamam de buscador, de concorrente do Google e tudo mais, mas eu discordo. O Wolframalpha é um banco de dados para consulta muito bem atualizado. Mais semelhante à Wikipedia que ao Google. Porém, limitado atualmente a dados numéricos e derivados. Ele não vai responder perguntas teóricas, a menos que consiga interpretá-las em informações numéricas. Contudo, sua precisão ao responder será muito maior que a da Wikipedia.

 Por exemplo:

Ele não saberá dizer nada sobre o Papai Noel, mas pode informar quando é o natal, a quantos meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos faltam para a data. Qual lua estará no céu neste dia, e até o nome de um ator que nsaceu neste dia. Duvida?

Pode ser que no futuro o Wolframalpha expanda seu banco de dados e concorra diretamente com os outros dois sites citados. A menos a aposta na precisão é promissora, pois é justamente nisto que ambos falham. 

O Google não traz dados, apenas links que podem ou não conter o que você procura, elencados não por pertinência do que buscou, mas principalmente por quantidade de acessos dos sites encontrados.

A Wikipedia aposta no hipertexto e na interconectividade dos assuntos, mais ou menos os fundamentos da rede. Mas muitas vezes as informações buscadas são incompletas e até mesmo equivocadas, dada a dificuldade de estudar cada informação acrescentada pelos internautas e separar o joio do trigo.

O Wolframalpha pretende construir um banco próprio de dados, e não fará buscas aleatórias na rede como o Google, ou permitirá tanta contribuição de usuários como a Wikipedia.

Isto o torna preciso e mais próximo de um Oráculo que seus antecessores. E mais próximo do computador neural Hall 9000.

Sério! Olha a mensagem que ele cuspiu quando eu forcei a barra numa pesquisa.

Sério! Olha a mensagem que ele cuspiu quando eu forcei a barra numa pesquisa.

Acho que já consertaram esta falha. Não quero a minha máquina cantando “Daisy…” pra mim, enquanto arranco as placas dela.

Vamos esperar e aguardar até que ele possa falar sobre assuntos mais variados. No momento é um excelente brinquedo para quem lida com matemática, física, estatística, etc.

Será que ele segue as três leis? E os robôs do Google? Don`t do Evil?

Share
Apr
14
2009
2

Nova lei de incentivo cultural?

Esta é a hora de reclamar,  macacada. Depois não tem chororô.
A proposta para modificar a Lei Rouanet está aberta e exposta para todos lerem no site do MINC (Ministério da Cultura) para todos meterem o malho. Vale a pena visitar o site porque considero o único site decente do nosso governo. Construído todo na mesma plataforma que este humilde blog. Sim, o site é todo em wordpress e permite comentários dos leitores em quase todos os assuntos abordados. Inclusive,  é claro, nos tópicos falando sobre a nova proposta de lei. Muita gente já largou o dedo (no teclado, veja bem) e deixou enormes críticas e uns poucos elogios.
Se quiser dar sua opinião tem até 06/05 para entrar nos links acima e mandar ver.
Acho no mínimo uma iniciativa interessante a exposição do texto da lei para que todos deixem sua opinião.
Fica aqui a proposta. Porque não criar uma lei que obrigue a todos os sites governamentais e de serviços públicos serem tão eficientes quanto o portal do MINC?
Mas já existe Gov.br. Que novidade! Mais uma lei ignorada.

Obs: uma das imagens que se alternam no cabeçalho do site é um pedaço de uma das ilustrações do Rodrigo para a nossa HQ A Carta que foi contemplada com o apoio da lei pelo MINC, mas segue em busca de um patrocínio.

Voltando. Li e me informei sobre a proposta. Acabei confirmando o que já imaginava.
Estão trocando 6 por meia dúzia.

Porque?
Pra começar, a maioria das pessoas que se manifestou está contrária à mudança. Uns por estarem satisfeitos com as coisas como estão e/ou temendo perderem sua bocada já toda esquematizada, outros, eu incluso, por perceberem que a nova lei não altera os pontos em que a lei atual é falha.

Não vou me limitar a debater pontos específicos da proposta em questão. Vou apenas expor minha visão de como deveria ser de fato uma lei de incentivo cultural.
Ao meu ver, ambas as leis atual e (futura?) estão erradas por partirem do mesmo princípio. Dar dinheiro ou esmola pros artistas e sustento a alguns cochados.

Não exatamente...

Não exatamente...

Uma lei de incentivo cultural deveria primar por garantir uma produção cultural e divulgação de nossa cultura, tanto aqui como no exterior. E principalmente cultivar uma indústria cultural brasileira que deve gradativamente, se desenvolver, cada vez mais independente do apoio do governo.

Basicamente, a nova lei passa boa parte do poder de decidir quais projetos receberão de fato os benefícios, das empresas para o governo.  Mas nada na lei nos assegura quais critérios serão utilizados, seja por que grupo o MINC escolha para decidir quais projetos serão ou não considerados dignos do apoio direto do governo. A noção de cultura descrita no texto da lei é bem ampla, e aberta a discrepâncias de patrocínios como os que vemos hoje.

Cirque de Soleil, Tim Festival, e tantos outros exemplos da cultura nacional,…

Cirque de Soleil, Tim Festival, e tantos outros exemplos da cultura nacional,…

Atualmente vemos projetos estrangeiros e/ou de valor cultural questionável tirando proveito da lei.
Tal lei deveria incentivar única e exclusivamente projetos criados e executados no Brasil, por brasileiros e que, no caso de obras literárias ou que narrem alguma história, que sejam estas passadas no Brasil ou vivenciadas por brasileiros.
Afinal de contas de que vale um incentivo cultural feito por um país, se não para fomentar e divulgar o próprio?

Não sou xiita. Gosto de muitas produções estrangeiras, mas convenhamos que estas não devem receber incentivo com nosso dinheiro de imposto, quando não trarão retorno algum para o país.
Outra falha na lei atual que não foi corrigida nesta reformulação é a falta de incentivo aos artistas iniciantes.
Vemos muitos projetos de artistas consagrados que obteriam, ou deveriam obter por conta própria apoio de empresas por serem famosos e naturalmente atraírem público para seus projetos.
Não devemos tentar medir fama ou excluir ninguém da possibilidade de patrocínio, mas seria prudente elaborar uma maneira de evitar o que vemos hoje. As famosas panelas que vivem em função da lei, por terem nome ou conchavos e sugam das empresas quase todo o potencial que estas possuem para patrocinar. Deixando apenas migalhas para os desconhecidos, que poderiam se beneficiar da lei para adentrar no mercado. Muitos vivem em função da lei que, ao invés de estimular o surgimento de empreendedores neste mercado, vicia tanto os investidores quanto os criadores de projetos num sistema que busca obter um máximo de lucro além do incentivo fiscal já concedido.
Novos artistas poderiam mostrar não apenas novas propostas culturais, mas também permitiria o surgimento de novos talentos. Desta forma a lei não apenas estaria incentivando a cultura de forma mais diversificada, mas também aumentando ainda mais o número de produtores no meio, e descentralizando a produção cultural no país que hoje continua limitada a poucos grupos e nomes.
Grandes criadores e produtores, que já possuem nome e experiência suficientes para caminhar com suas próprias pernas, precisam ser desmamados com o tempo. Hollywood não produz inúmeros filmes anualmente, muitos dos quais com orçamentos enormes, com apoio do governo de lá. O que existe por lá são produtores empreendedores que de fato conhecem a indústria e sabem o que dará retorno ao seu investimento. Aqui o produtor não tem dinheiro algum. É um mero intermediário entre a empresa e o artista. Basicamente um lobista.
Aqui ninguém quer investir de fato, e isto não é um problema da cultura apenas. Ou seja, faltam empresas especializadas em financiar obras culturais. O que temos hoje são empresas dos mais diversos ramos, cujos departamentos de publicidade buscam apenas projetos que se enquadrem nos planos de divulgação da empresa.
Não pensam no projeto em si e no potencial que tem para atrair público A ou B.
Não podemos culpá-las. Sua finalidade não é financiar projetos culturais, mas divulgar da melhor maneira possível sua marca.
Fato é que necessitamos de algum mecanismo na lei, que leve à formação de fato de uma indústria cultural, aí o dinheiro investido estaria valendo a pena e não seria apenas uma torneira que  fará a cultura nacional naufragar no dia em que fechar. Ou alguém tem dúvida que se um dia suspenderem o incentivo fiscal a festa acaba? Do jeito que está hoje, todas essas produções entram em colapso.
Pelo menos não teremos de aturar “Se eu fosse você 3”.

Por outro lado,  este é um exemplo de projeto que não depende de incentivo cultural para acontecer, pois obtém grande retorno de bilheteria que certamente paga o projeto e dá lucro aos investidores.

 Mas nosso governo, pelo que as mudanças propostas indicam, só quer mesmo é mais poder sobre o dinheiro que rola nos patrocínios culturais. Se vão embolsar, ou apenas usar para incentivar mais filmes sobre o Lula eu não sei. Mas de forma alguma significa melhoria na produção cultural.

Um dos argumentos levantados para se alterar a lei, é que o sudeste recebe absurdamente mais dinheiro de patrocínio que as demais regiões.
Será por que é aqui onde existe absurdamente mais gente e empresas?

I wonder...

I wonder...

Mas para aumentar os investimentos culturais no restante do país, a opção mais correta, dentro da lei vigente, seria realizar uma campanha entre as empresas que atuam nestes lugares e incentivá-las a buscar projetos para obter os incentivos e incentivar a cultura nacional.

Outra distorção alegada é a de que apenas 3% dos projetos submetidos recebem quase 50% de todo o dinheiro que as empresas se dispõem a oferecer.
Concordo que deve haver mais distribuição, pois isto tende a ajudar artistas iniciantes e pequenos grupos que podem crescer com a chance de se exporem ao grande público.
Isto não deve mudar nesta nova proposta. Pois sempre haverá uma minoria de projetos que são sim mais custosos que a maioria e receberão mais dinheiro. O que deve acontecer é: uma redução de quantidade de projetos acima de determinado valor e aumento de pequenos projetos, ou aumento da quantidade de projetos caros, diminuindo o número de projetos baratos, para aumentar este percentual e fazer propaganda de que o governo com a nova lei aumentou o percentual de distribuição da grana. Quando o que ocorreu foi o contrário. Menos projetos serão beneficiados.
Sou pessimista e em se tratando de um governo que adora divulgar inverdades:

“O Real se valorizou em relação ao Dólar!”

“O Real se valorizou em relação ao Dólar!”

Tenho para mim que a segunda opção é a mais provável.

Atualmente o governo já estuda e seleciona os projetos que julga merecedores de apoio da lei e que têm direito a captar incentivo. Mas isto é feito de forma branda e teoricamente mais idônea, pois não é o MINC quem dá a grana de fato. O projeto que se vire para arranjar o dinheiro e a maioria nunca consegue. Em boa parte por falta de bons contatos.
Contudo, o governo aprovou os projetos estrangeiros já citados, o que é algo questionável. Com a faca e o queijo na mão do governo, as chances são grandes de novas surpresas.

Uma curiosidade desta possível nova lei, seria a criação do vale cultura. VC?Algo perigoso.
Se for um benefício pago ao trabalhador, sobre o qual a própria empresa possa obter incentivo fiscal, será excelente. Qualquer empresa estará automaticamente incentivando a cultura, ou o consumo cultural dos seus funcionários. Contudo, ainda existem outras questões.
Por exemplo: Eu ganho parte do meu salário em vale cultura. Mas eu posso gastar em qualquer lugar? Como por exemplo assistir a um filme estrangeiro? Ou apenas para ir a projetos culturais também financiados pela lei? A segunda possibilidade seria a mais coerente.
Este benefício poderia ser estendido às instituições de ensino e possivelmente uma opção mais viável para substituir as meias entradas que são um grande transtorno para a população e empresários do setor, pois do jeito que é hoje o governo não financia as meias entradas e o resultado disto é que os ingressos acabam dobrando de preço. Logo, quem não tem o benefício paga o dobro e quem tem paga o preço real e não metade.

Podemos ver que é algo bem confuso. Mas se estudarmos com calma os modelos de produção cultural bem sucedidos ao redor do mundo e idealizarmos um objetivo para o Brasil, uma meta de produção cultural, é possível sim traçar um planejamento de como atingir esta meta e, se necessário a legislação que auxilie este planejamento.

Resta verificar se toda a verborragia registrada no site do MINC será levada em conta pelos que de fato decidem.

Heil!!!

Heil!!!

Share

Powered by WordPress | Theme: Aeros 2.0 by TheBuckmaker.com