Everything Everywhere All at Once

Uma das coisas que mais me divertem no processo de narrar histórias é buscar novas formas de mostrar situações, personagens, de contar histórias que a princípio podem parecer comuns ou já muito batidas.

Nesse sentido, e não por acaso, nós escritores e contadores de história em geral nos parecemos muito com mágicos, que também estão sempre descobrindo novas maneiras de fazer o mesmo truque e assim surpreender a plateia.
Histórias são ilusões que aprendemos a criar para narrar acontecimentos reais ou fictícios.
Há milênios a humanidade descobriu que a forma como contamos as histórias faz toda a diferença em relação a como elas serão lembradas, que aspectos delas as pessoas valorizarão e se elas não serão esquecidas em pouco tempo.

Bom, Everyhing Everywhere All at Once é uma dessas histórias que mergulha de cabeça na tarefa de contar uma história mundana da maneira mais inusitada possível.

Se você ainda não assistiu o filme e não quer spoiler algum, não leia além daqui.

A história de uma família em crise já foi contada inúmeras vezes, mas nunca dessa forma.
Bastou inserir a trama num contexto de ficção científica, que toda a loucura tem início.
A partir daí vemos cenas inusitadas que poderiam ser apenas humor e ação gratuitos, mas servem para aludir bem ao caos que se passa na mente dos personagens, principalmente da protagonista, em meio a todos os problemas e conflitos internos que ela vive com sua família e trabalho.

Quem nunca se perguntou: E se..?
Todos temos momentos vivos na memória em que poderíamos ter feito outras escolhas que talvez mudassem muito a nossa realidade atual. Até mesmo como enxergamos o mundo.

Para se contar uma história de maneira inusitada não basta lançar mão de maluquices aleatórias. É preciso fazer com que tudo aquilo remeta ao tema principal da história, que no caso é o drama familiar e principalmente a relação entre a protagonista e sua filha.

Isso aliado à excelente produção, atuação e direção resulta nesse belo filme que enche os olhos enquanto nos leva nessa viagem de montanha russa pela vida desses personagens.

Quando nos propomos a assistir um filme, ler um livro ou uma HQ, deixamos que os criadores nos levem pela mão num passeio, e é muito bom quando somos surpreendidos positivamente ao longo desse passeio por experiências e pensamentos que não esperávamos.

Esse é o desafio dos criadores proporcionar esse passeio memorável.

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